Considerações, Ensinamentos e Pontos Vitais Parte 1 (REFAZER)

Essa última Aula deste Módulo, está dividida em 4 Partes da seguinte forma:

  1. Texto correspondente ao Mundo Espiritual – Parte 1
  2. Texto correspondente ao Mundo Espiritual – Parte 2
  3. Texto correspondente ao Mundo Espiritual – Parte 3
  4. Arquivo/Livro ao Final dos Textos – Recomendado pelo Mestre Okada essa Leitura, segundo ele retratando muito bem o Reino Espiritual – Um Livro fascinante.

 

SOBRE MUNDO ESPIRITUAL – PARTE 1

 

Colocaremos a seguir o que Okada fala sobre o Mundo Espiritual. São diversos textos onde adentramos significativamente neste assunto. Ainda recomenda que se leia alguns livros. Colocaremos até amanhã pelo menos um deles o Gone West, um livro fascinante que mostra a realidade do Mundo Espiritual. Leiam os textos abaixo com calma para que consigam entender realmente o que é o Reino Espiritual. Necessário se faz saber também que tal Reino é a continuação da vida neste Mundo Material, e tudo o que acumulamos aqui é pesado, julgado e por fim dado o veredito em qual camada ou lugar deste Reino o ser humano ficará, tudo de acordo com suas obras.

Naquele Reino não existe simulação, enganação ou desculpas, tudo é exatamente perfeito, cristalino, não havendo qualquer injustiça sobre esse julgamento. Como a pessoa é realmente, interiormente nos seus pensamentos, sentimentos e caráter aqui, resultado de suas vivências, vai ser esmiuçado ao se chegar lá. E apenas com base nisso será julgado. Segundo Okada se todos soubessem disso mudariam imediatamente seu comportamento, atitudes e sentimentos, visto que por esse motivo viemos a este mundo, para que possamos aprimorar, nos livrar de nossas nuvens espirituais e se elevar espiritualmente durante sua vida, estadia neste mundo.

Também nos fala que um dos maiores aprimoramentos do ser humano no Reino Espiritual é o egoísmo e o apego. Colocaremos aqui um texto de Okada sobre esse assunto. Recomendamos que leiam e releiam diversas vezes sempre no intuito de se autoanalisar, nunca para acusar ou apontar para os outros. Neste mesmo sentido, o apego às próprias ideias ou aos problemas que os fazem perdurarem e um egoísmo forte faz com que as pessoas manifestem no seu caráter algo temível, que é o Gá, termo usado por Okada para caracterizar o ego de cada um, seus apegos, sua imposição de vontade, pensamentos e ideias. Esse é o maior de todos os aprimoramentos do Reino Espiritual. Existem pessoas que acham isso maravilhoso, são rudes e afastam as pessoas ao seu redor, sempre querendo se impor aos demais. Ao final dos ensaios de Okada falando sobre o Reino Espiritual, colocaremos outros sobre esse tema. São de vital importância e o crescimento espiritual do ser humano neste mundo e naquele dependem exatamente desse tipo de comportamento ser controlado, entendido e aprimorado. Na realidade, o sucesso, a prosperidade, a manutenção de relacionamentos, empregos, a felicidade em geral dependem desse aprimoramento. Podem entender o quanto é importante para a vida do ser humano. Querer resolver isso é um grande passo por que significa que já houve um reconhecimento. Não resolver esse problema é postergar todos os problemas, inclusive os de saúde, visto que os problemas tomam a mesma característica do caráter da pessoa. Pessoas difíceis, resistentes, que não mudam com facilidade, opiniosas, os problemas tomam a mesma característica do caráter, demorando bastante. Portanto Terapeutas considerem esse um problema, se for o caso, que merece toda nossa atenção no nosso aprendizado. Essa mudança é fundamental e urgente, em todos os sentidos para nossa vida. Agora fiquem com os ensaios do Mestre Okada.

 

 

O Paraíso, como mencionado anteriormente, são os três níveis superiores, sendo eles o Primeiro Paraíso, Segundo Paraíso e Terceiro Paraíso. O Primeiro Paraíso é onde os Deuses Superiores residem, o governo do mundo, sendo onde os Deuses continuamente dão suas ordens. No Segundo Paraiso estão os auxiliares dos Deuses do Primeiro Paraíso, cada um tendo sua respectiva tarefa, no Terceiro Paraíso a grande maioria recebe dos Deuses uma tarefa para continuar a executar, claro que por incluir regiões de todo o mundo há uma grande variedade de comportamentos. Os Deuses do Terceiro Paraíso atingiram a divindade saindo do Mundo Intermediário, por isso são extremamente parecidos com os seres humanos, sendo conhecidos como anjos.

Em resumo essa é a organização do Mundo dos Deuses, de hoje até aproximadamente três mil anos atrás, excedendo um pouco o período de existência do Budismo. A razão para isso é que praticamente todos os Deuses se tornaram Budas, os que não, se tornaram Deuses Dragão a espera do tempo certo. Também o Mundo dos Deuses é o cenário da Terra Pura onde o karma foi superado, esse foi o momento da transição da Era da Noite para a Era do Dia e isso significa que o Mundo dos Deuses renascerá.

Seguindo, Terra Pura de Amithaba é um termo budista formado dentro do Mundo Budista, com relação aos Deuses Supremos corresponde ao Segundo Paraíso, o Paraíso Supremo corresponde ao Tosotsuten dos ensinamentos de Buda. Lá existe o Templo Púrpura, o Templo dos Sete Pavilhões, o Pagode de Dois Andares, e todas as flores florescem eternamente, espalhando a fragrância de incenso pelo ar. Karyobinga voa pelo céu e no centro há um grande lago onde flutuam Sagradas Flores de Lótus e suas folhas, e uma tartaruga com pelugem verde, grande o suficiente para duas pessoas montarem, nela montando os espíritos poderão realizar desejos, podendo ir automaticamente a qualquer lugar, enquanto se divertem. Ainda ali, dentro de um grande templo ficam muitos fieis budistas, naturalmente todos de cabeça raspada escrevendo poesias, tocando instrumentos de corda e sopro, dançando, pintando, esculpindo, praticando caligrafia, jogando go, shogi, etc, entregando-se a diversões de maneira similar à no mundo material, e também ouvindo pregações, sendo esse o maior dos prazeres. O pregador é o fundador de cada seita, por exemplo, Honen, Shinran, Rennyo, Dengyo, Kukai, Dogen, Bhodidharma, Nichiren, etc. Sendo assim os altos sacerdotes e afins, as vezes ascendem ao Grande Templo Purpura, sendo esse o caso, encontram Sakyamuni face a face, recebendo a benção de várias e profundas instruções sobre métodos de ensino da religião. O Grande Templo Purpura é um local de ofuscante luz, e na Terra Pura, mesmo os espíritos que foram salvos não conseguem olhar para cima em sua direção.

Abaixo do Paraíso fica a Terra Pura, onde Amithaba é o senhor, constantemente interagindo com Sakyamuni em pessoa, discutindo sobre como governar a Terra Pura. Também Kannon ocupa o assento de chefe no Grande Templo Purpura, sendo nyorai emissora de grande luz, agindo no mundo atual com Sakyamuni e Amitabha, ambos assistindo na construção do Paraíso Terrestre abaixo. Porém devido a necessidade de salvação até os dias de hoje, desceu como bhodhissatva, transferindo a responsabilidade do comando à Buda Amithaba.

Assim sendo, chegando o futuro, a Terra Pura será extinta e uma nova tomará forma, para começar as preparações do novo Mundo dos Deuses, cada nyorai, bodhisattva, Deuses, sonja, grande guardião, homem santo, dragão, raposa branca, tengu, etc., continuarão as atividades para gradualmente aumentar sua divindade, estando extremamente ocupados com as tarefas atualmente.

A seguir o Mundo Infernal, esse é aproximadamente o oposto do paraíso, luz e calor são inferiores, sendo assim o grau de escuridão e ignorância aumentam. O Inferno, como se dizia no passado, é o mundo de diversos sofrimentos, explicarei resumidamente sobre eles.

Os mais importantes de se mencionar são o Monte das Agulhas, o Lago Infernal de Sangue, o Reino dos Fantasmas Famintos, o Reino dos Animais, Reino dos Asuras, a Estrada da Luxúria, o Inferno de Chamas, o Inferno das Serpentes, o Inferno das Formigas, a Sala Infernal das Abelhas, etc.

No Monte das Agulhas, como o próprio nome diz, inúmeras agulhas eretas ficam próximas, e o espírito tem que cruzar o monte, por isso o sofrimento é excepcional. Esses cometeram o crime de monopolizar grandes lotes de terra e florestas em montanhas durante a vida, assim impedindo outras pessoas de fazerem uso.

O Lago Infernal de Sangue é para onde vão espíritos mortos por causa de dificuldades no parto, os espíritos desse tipo são socorridos por mim em grande número, mas isso é muito simples, recitando o norito três vezes, pedindo para o Deus do Mundo dos Mortos (Kakuriyo-no-okami), desse modo o espírito irá imediatamente escapar da Lagoa de Sangue e será salvo, assim ficando muito contente. Quando perguntei sobre o estado dos espíritos na Lagoa de Sangue Infernal ouvi o seguinte. O nome vem de uma extensa lagoa de sangue onde os espíritos ficam por muitos anos, imersos até a base do pescoço. Sua superfície não é de água, mas de sangue onde um incontável número de vermes flutua, esses continuamente rastejam até o rosto. Mesmo limpar e afastar é inútil, esse sofrimento é uma coisa que não pode ser evitada sem perseverança. A causa disso é que durante a vida não acreditavam em nenhuma religião, e sua mente era a de uma pessoa de vários vícios.

No Reino dos Fantasmas Famintos, como diz o nome, há constante estado de fome, o espírito está sempre com apetite e desesperadamente tentando satisfaze-lo. Por esse motivo, ficam em fileiras na frente de barracas de comida e lojas, tentando comer o espírito da comida, mas apenas conseguindo um pequeno pedaço, cometem assim um tipo de crime, podendo inevitavelmente possuir homens , cachorros, gatos, etc., para satisfazer seu apetite por comida. Frequentemente acontece com doentes que tem um surpreendente e vigoroso apetite por comida, como descrito anteriormente, nesses casos é o espírito do fantasma faminto que o possui. Também o espírito que possui cães a gatos, lentamente descende ao Reino Animal. Nesse caso uma gradual transformação acontece no espírito da pessoa. Do mesmo modo que mal dinheiro destrói o bom dinheiro, acontece com o espírito da pessoa que renasce no Reino Animal pois ele é completamente assimilado. Isso significa que as oferendas feitas no passado aos espíritos sofredores dos rios, eram em benefício dos espíritos daqueles que se afogaram, porque frequentemente esses espíritos não tinham parentes para chorar em seus funerais, descendo desse modo até o Mundo do Fantasmas Famintos, essa comida oferecida aos Fantasmas Famintos, assim como os sutras lidos é apreciada, por isso é realizado um grande funeral.

Se a causa da queda ao Mundo dos Fantasmas famintos for ter feito extravagancias sem consideração com a fome de outras pessoas, ou se a causa for não ter tratado a comida com respeito, porque a pessoa não deve desperdiçar nem mesmo um grão de arroz. Arroz (?) se escreve como oitenta e oito (???), significando manusear oitenta e oito vezes, pensando assim nunca deve ocorrer desperdício. Eu também, após a refeição, bebo chá e tento não deixar um único grão de arroz na tigela. Na refeição os cristãos unem as mãos e se curvam em silêncio, isso é realmente um bom costume. Claro que o homem deve ser grato de coração, sem esquecer a benção que é a refeição.

O Reino dos Animais naturalmente é para os espíritos que se tornam bestiais, isso em qualquer circunstância que durante a vida tenham tido ideia ou conduta que se distanciou da humanidade, por ter tido ações iguais a de bestas. Por exemplo: profissões que enganam como prostitutas tornam-se raposas; preguiçosos, como uma meretriz usufruindo de lindas roupas e deliciosas comidas e sendo adulada por jovens, vivendo uma vida fácil, tornam-se gatos; os que procuram segredos dos outros e sutilmente os extorquem, com relação a guerra agem como espiões, etc., os que farejam segredos dos outros , tornam-se cachorros. Mas investigadores que fazem isso prevenindo o mundo do mal são um outro caso. Assim aqueles que na sociedade persistem no egoísmo, se dedicando a nada além de juntar dinheiro, essas pessoas tornam-se ratos. Relutando em ter uma atividade e brincando de ir e vir, evitando as dificuldades da vida tornam-se porco ou vaca, no passado os pais diziam que se a criança dormisse após a refeição se transformaria em vaca, nisso há alguma verdade. Ainda, os de temperamento desordeiro e violento, pessoas temidas, yakuza, etc., tornam-se grupos de tigres ou lobos. Pessoas usualmente calmas porém sem posição ou utilidade tornam-se coelhos; pessoas com forte apego tornam-se cobras; pessoas que suam por causa do trabalho tornam-se cavalos; pessoas jovens que tem a energia de idosos, sem ter feito uma atividade proporcional tornam-se ovelhas; o sujeito ardiloso e astuto torna-se macaco; o sujeito que tem amantes e vive apalpando mulheres torna-se galinha; pessoas impulsivas, teimosas e que não refletem tornam-se javalis selvagens; ainda, o sujeito desonesto e que faz as pessoas de tolas, torna-se um guaxinim.

Porém, mesmo descendo ao Reino dos Animais, reencarna como resultado do aprimoramento. O homem que desce ao Reino dos Animais uma segunda vez, nascerá naturalmente no Reino dos Animais como que em um ciclo, algo chamado no Budismo de rinnetensho, sobre isso há algo que se deve saber. Por exemplo, o homem julga cavalos, gado e afins como extremamente mal tratados em suas funções, mas nessa penitência varrerão seus pecados, vindo a reencarnar mais felizes. Mais um fascinante exemplo, cavalos e gado demonstram um tipo de sensação de prazer quando são usados de maneira cruel, em particular ansiando por serem atingidos com o chicote. Como mencionado acima, na realidade é um erro muito frequente olhar os animais pelos olhos do homem. Acrescentando: o cão de guarda que previne um roubo; o gato que pega o rato; a vaca que dá leite; a galinha que provem os ovos; o gado, cordeiro, porcos, etc., são importantes ao homem e seus negócios, e como consequência seus pecados são extintos.

Também, a paixão entre um homem e uma mulher é algo fascinante, esta tem grande relação com o espírito animal de pássaros, a paixão geralmente inocente do espírito de pássaros como o rouxinol, mejiro e outros pássaros pequenos até o corvo, garça, pato, pavão incluindo também todos os outros dessa família. Nos casos de paixão, esse pássaro companheiro se apaixona, isso significa que o homem está sendo apenas um mecanismo da paixão do pássaro companheiro, o que significa que sua dignidade irá diminuir um pouco. Também existe a paixão da companheira raposa, mas esse é um amor ilícito. Há também o guaxinim, nesse amor a prioridade é carnal, no mundo são maníacos sexuais. Também, a reencarnação do Dragão é a mulher dragão que tem uma paixão emocional e é indiferente a carne do homem, ao invés disso tem grande aversão, por causa disso muitas vezes sendo frígida. Sendo assim odeia casamento, não se permite falar ou ouvir sobre casamento, quando é alvo de uma proposta de casamento, um dos dois acaba ficando doente, ou mesmo morrendo, isso acontece por ser reencarnação da mulher dragão ou mesmo possuída por Dragão. Frequentemente essas senhoras são solteiras e ganham ou estão no processo de ganhar grande reputação social, muitas heroínas são mulheres dragão, raramente tendo espíritos de tengu.

Acima descrevi substancialmente a vida e a estrutura do Mundo Espiritual, e vários tipos de espírito, mas a seguir irei escrever sobre minhas próprias experiência.

 

 

 

A organização do Mundo Espiritual foi mencionada anteriormente, Paraíso, Intermediário e Infernal, três níveis divididos em três partes, sendo nove graus, cada grau divido novamente em vinte, formando sessenta graus por nível, totalizando cento e oitenta camadas. Os nomeio de Camadas do Mundo Espiritual. Acrescentando, na posição de diretor desse universo se senta o Supremo Deus. O caractere? em Supremo Deus (??) tem três linhas horizontais e uma vertical, e acima fica o único?, considero isso fascinante. Sendo assim explicarei em detalhes a conexão entre espirito e homem, o corpo do homem tem a exata aparência do espirito falecido, e em seu núcleo há a mente, dizem que a mente é o centro da alma. Há três condições pequena, média e grande, sendo três inferiores e três superiores, essa alma, com certeza, foi um presente de Deus, é a consciência em si. O local de nascimento da alma, ou sua origem, é chamado de seu domicílio permanente, pertencendo a um dos cento e oitenta níveis, é chamado por mim de yukon. Esse yukon e o espírito atual do humano são conectados por uma linha espiritual, constantemente as ações e pensamentos da pessoa são transmitidas ao yukon, e também se comunica com um Deus, também o yukon recebe ordens dos Deuses, passando pela linha espiritual e sendo transmitido até a pessoa. Como exemplo, quando o homem arquiteta vários planos, quando o objetivo não é alcançado mesmo com grande esforço e difere da intenção, tomando uma direção não imaginada, atingindo um destino inesperado e refletindo cuidadosamente qualquer um pode ver o criador, a maioria das pessoas já experimentou o pensamento de estar sendo manipulada. Isso é o líder comunicando o yukon da vontade do Deuses. Consequentemente, no caso de a empreitada ser contraria a vontade divina, apesar de grande esforço acontecerá exatamente o oposto, o homem tem que refletir profundamente se suas ideias estão de acordo com a vontade divina. Porém, nos casos em que há desejo próprio ou más intenções, isso é uma obstrução da vontade divina, mesmo que por um momento pareça bom, certamente no fim irá falhar. Quando se faz planos deve-se seguir uma lógica, contemplar a si mesmo com cuidado, deve-se considerar profundamente se o propósito é virtuoso e útil a sociedade humana. A seguir uma coisa fascinante, tendo pensamentos nefastos, por causa da vontade divina, só irá encontrar falhas e problemas, no caso de ter essas dificuldades a origem do pensamento negativo é diminuir a expiação, assim a alma será polida como resultado e na próxima vez irá concordar com a vontade divina, e terá sucesso nos planos. A humanidade frequentemente após uma falha tem sucesso, por exemplo especialmente pessoas que falham um grande número de vezes se tornam homens de grande sucesso, mas a razão para isso depende.

Além disso, colocar o espírito nas camadas superiores do Mundo Espiritual é o único modo de ser uma pessoa de sorte. Originalmente a posição do espirito não é fixa, constantemente ascendendo e descendendo. A razão é porque quando mais leve sobe de camada, e quando mais pesada desce, concluo que a origem desse peso relativo vem dos atos bons e ruins da pessoa, com bons atos e acumulo de virtudes se reduzem os pecados e impurezas deixando mais leve o espírito, com maldades e ações criminosas se acumulam pecados e impurezas aumentando o peso, no passado se dizia que os crimes eram um pesado fardo. Consequentemente o bom ou mal coração, comportamento e modo de falar se comunicam diretamente com os Deuses pela conexão espiritual, por essa razão, sabendo disso, não há como não ser uma pessoa virtuosa.

Como mencionado acima, o Homem através de Deus tem o destino, a vida e a morte parcialmente decididos, por isso em ?? (vida) existe o ideograma ?, que também está em ?? (ordem). Sendo assim a morte é uma ordem de liberação dada por Deus. Quando causa danos ao mundo não há valor para sua existência, por isso Deus com seu amor dá a ordem de liberação quando o homem não é mais útil a sociedade, enquanto isso será impossível esperar longevidade e felicidade.

Quando se vai as camadas mais altas do Mundo Espiritual não há sofrimentos como doença, pobreza e disputa, há vigorosa saúde, abundância de bem e beleza e todos recebem o necessário para viver, construindo uma vida de grande alegria, por isso com um yukon feliz tornará o homem do mundo atual feliz, através da linha espiritual. É o oposto nas camadas inferiores do mundo espiritual, a linha espiritual, com o yukon irá refletir no homem, tendo dificuldades em uma vida infernal, que termina em infelicidade por toda vida.

As pessoas frequentemente constroem a casa com interesse nas direções, mas para a pessoa que ocupa as camadas superiores do Mundo Espiritual a mudança de casa ou construção será naturalmente boa, juntamente com uma boa família, o oposto acontece nas camadas inferiores do Mundo Espiritual, mesmo com grande esforço da pessoa essa mudara e viverá em uma má habitação. Novamente, no caso de casamento, um bom partido ou um amor desafortunado se devem a mesma razão, nada mais é do que o principio de união entre o espírito e o corpo, essa força é absoluta não importando o que o homem faz, e desafia-la é impossível.

Comentarei brevemente sobre fado e destino, o destino é determinado no nascimento e é limitado pela camada do mundo espiritual, abrir uma exceção é impossível, fado esta na esfera do destino e o alto ou baixo ranking dependerão da quantidade de esforço, em contraste com o destino que é imutável o fado permite um certo grau de liberdade.

Consequentemente a pessoa que acumula virtudes terá uma redução nos pecados e impurezas, assim o próprio yuukon subirá de camada no Mundo Espiritual, além disso saibam que não há outro caminho para se tornar uma pessoa feliz.

 

 

Primeiramente, qual o proposito do homem nascer e vir a esse mundo? É preciso entender uma coisa primeiro. Deus criou o homem para este construir o Mundo Ideal, o real proposito de seu Governo na Terra, concedendo-lhe as respectivas missões e utilizando-o conforme Seu objetivo. A evolução da Era Primitiva para a brilhante Era Cultural, e também do intelecto humano até o estagio atual, foram dirigidos exatamente para esse propósito. Assim, não só o homem, criatura do mais alto nível, mas todas as outras criaturas como plantas e minerais, e tudo o que tem forma, são constituídos por dois elementos essenciais: espírito e corpo. Quando há a separação de um desses, o indivíduo, qualquer que seja, perece. Mas explicarei apenas sobre o homem aqui. Após o corpo humano não ter mais utilidade, por senilidade, doença, perda de sangue, etc., a alma se livra do corpo e parte para o mundo espiritual, onde sua personalidade começará a viver. Isso é similar para qualquer raça no mundo. Há muitas grandes obras tratando sobre o assunto, um exemplo é de autoria de Sir Oliver Lodge e chamada “Vida após a morte”, publicada após a Primeira Guerra Mundial. O conteúdo são mensagens do Mundo Espiritual enviadas por seu filho, que foi morto em batalha no front na Bélgica. Os documentos foram lidos por pessoas de diversos países, o que motivou o repentino movimento de pesquisa sobre o Mundo Espiritual e a aparição de grandes médiuns, um após o outro. Também o grande autor de “O Pássaro Azul”, o já falecido belga Sr. Maurice Maeterlinck, que mudou completamente seu destino ao tomar conhecimento do Mundo Espiritual e se tornar um dos mais entusiasmados estudiosos do sobrenatural. Logo após isso o francês Dr. Ward publica uma obra prima, “Gone West: Três Narrativas sobre experiências após a morte”, e as pesquisas se tornam cada vez mais prosperas. O mencionado Doutor descreve minuciosamente sua experiência no Mundo Espiritual, dizendo que uma vez por semana, por aproximadamente uma hora, senta-se em uma cadeira e entra em um estado de transe transportando-se para lá. Nessas ocasiões o espírito de um tio o guia, apresentando em detalhes todas as áreas daquele mundo, e instruindo-o sobre a realidade das coisas. Na narrativa, amigos e conhecidos também tem a tarefa de guiá-lo, tornando mais pleno seu conhecimento. Por ser uma obra muito interessante, e de grande validade para o conhecimento da vida no Mundo Espiritual, desejo que os leitores a leiam. Inevitavelmente existem aspectos diferentes no Mundo Espiritual do Ocidente e do Japão. Pretendo enumerar posteriormente, com vários exemplos, cada um deles.

 

De acordo com notícias procedentes do Reino Unido, há mais de dez anos surgiram naquele pais centenas de sociedades de pesquisas psíquicas, desenvolvendo vigorosas atividades, e até uma universidade foi fundada para esse fim. Mas eu gostaria de saber sobre a situação atual, porque com a eclosão da Grande Guerra não pude saber mais a respeito.

 

Agora explicarei gradualmente a grande variedade de aspectos do mundo espiritual.

 

 

Quando se tem interesse em religião e se pretende compreendê-la por completo é indispensável saber a relação entre o Mundo Material e o Mundo Espiritual. Qualquer que sejam os Budas e Deuses alvos da fé religiosa, Deuses são espíritos, e por causa disso não temos a habilidade de vê-los a olho nu. Tentar aprender Sua essência apenas pela teoria é tão estupido quanto buscar um peixe em um árvore. Porém, esses incríveis Deuses e Budas são reais e é impossível negar isso. Exatamente assim como é difícil tentar fazer com que selvagens reconheçam a existência do ar, é similarmente difícil que a grande maioria dos homens modernos perceba a existência da alma. Como proposto, irei explicar o mais profundamente possível sobre o Mundo Espiritual, a vida de seus habitantes, etc.

 

O homem é formado por dois elementos: o corpo carnal e o corpo espiritual. Assim que o homem morre a alma deixa a carne, imediatamente adentrando o Mundo Espiritual, onde começa a viver. No caso de uma pessoa extremamente bondosa o espírito sai pela fronte; o das perversas, pela ponta dos dedos dos pés; e o das pessoas comuns pela região do umbigo. No budismo, na morte, se usa a expressão “morrer para nascer”, e vendo do Mundo Espiritual isso realmente se traduz desse jeito. Também por esta razão os xintoístas dizem “antes de nascer”, ao invés de “antes de morrer”, e usam a expressão “voltar para casa”. Deste modo, assim que a pessoa passa ao Mundo Espiritual o espirito cruza o Rio das Três Formas, e dali segue para o Tribunal de Enma, que funciona do mesmo modo que os do Mundo Material. Isso é um fato, já que ouvi o mesmo de muitos espíritos. Tão cedo quanto termina de atravessar o rio as roupas do falecido mudam de cor. Nos que quase não tem máculas, torna-se branca, assim cada roupa adota um tom de cor diferente, de acordo com o significado das máculas, azul, amarelo, vermelho ou preto. Só as divindades vestem o roxo. No Tribunal de Enma, os Haraido-no-kami assumem o comando e conduzem o interrogatório, assim será decidida a respectiva sentença. No caso de um homem muito bom, o Paraíso ou Terra Pura; no caso de um maléfico, descerá ao Inferno; já a pessoa comum irá ao plano intermediário (Mundo dos Mortos), no Xintoísmo chamado de “Distrito das Oito Encruzilhadas” e no budismo de “Estrada dos Seis Caminhos”. Para esses lugares vão a maioria das pessoas, onde recebem os primeiros aprimoramentos sob a tutela de um sacerdote da respectiva religião. O treinamento dura por volta de trinta anos, até o destino ser decidido. Aqueles que conseguem reabilitação vão ao Paraíso e aqueles que são reprovados vão ao inferno.

 

O mundo espiritual é organizado em três planos, cada um com três níveis. Totalizando um total de nove estágios. No plano superior o Paraíso, no meio o Plano Intermediário e no plano inferior o Inferno., consequentemente o mundo material está no plano intermediário. A “Estrada dos Seis Caminhos” do Budismo são os três níveis do Paraíso e os três níveis do Inferno, e o “Distrito das Oito Encruzilhadas” do Xintoísmo, acrescenta o “Supremo Paraíso” acima e o “Profundo Inferno” abaixo. Aqui explicarei francamente o que acontece no Paraíso e no Inferno. Quanto mais alto se ascende no Paraíso, maior será a intensidade da luz e do calor, os espíritos vivem quase totalmente nus. Assim como é visto nas pinturas e esculturas do passado, onde os mais veneráveis Budas estão nus. Ao contrário, nos níveis mais baixos do Inferno a emissão de luz e calor se torna cada vez mais fraca. O extremo mais baixo é permanentemente congelado, escuro e vive na ignorância (mumyo). Assim sendo, logo que entram em contato com esse sofrimento, até os mais demoníacos espíritos não conseguem evitar se corrigir. O ponto principal foi explicado acima, mas o homem moderno pode ver essa descrição como um absurdo da minha imaginação, porém nos meus mais de vinte anos de pesquisas com espíritos, médiuns e muitos outros meios, pude observar pontos idênticos. Por isso espero que o leitor confie totalmente nessa explicação. O discurso sobre o Paraíso e Inferno de Sakyamuni, e os de Dante Alighieri em a “Divina Comédia”, acredito não terem sido fabricados

 

Quando se observa as feições de uma pessoa morta é possível saber, aproximadamente, para qual dos três planos seu espírito foi. Quando não apresentam uma aparência agonizante com tom azul claro, e sim natural, vão ao Paraíso. Os que aparentam melancolia e desolação, com tom pálido ou azul amarelado, condição da maioria das pessoas comuns, vão ao Plano Intermediário. Os que tem a aparência notavelmente agonizante e coloração escura ou azul escura vão obviamente ao Inferno.

 

O que explico acima tem por objetivo lhes dar conhecimento básico do Mundo Espiritual, mas posteriormente escreverei sobre conhecimentos de fenômenos espirituais adquiridos através de minha própria experiência.

 

 

JULGAMENTO

 

Enquanto vive no Mundo Material, o homem deve se esforçar para cumprir plenamente a missão que lhe foi concedida por Deus, contribuindo para o bem da sociedade. A maioria das pessoas, no entanto, fica atenta apenas aos aspectos exteriores das coisas e, inconscientemente, pratica ações subordinadas ao mal. Em conseqüência, no seu corpo espiritual vão se acumulando máculas. Passando para o Mundo Espiritual, nele se efetua uma rigorosa eliminação dessas máculas.

 

Realizei minuciosos estudos e pesquisas procurando ouvir o maior número possível de espíritos desencarnados, através de médiuns. De tudo que esses espíritos disseram, eliminei aquilo que pode não ser verdade, transcrevendo apenas os pontos coincidentes entre os muitos depoimentos que ouvi. Por isso, tenho certeza de que não há erros em minhas explanações.

 

Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida para o local a que dou o nome de Plano Intermediário. No xintoísmo, chamam-no de “Yatimata” (encruzilhada de oito direções); no Budismo, “Rokudo no Tsuji” (esquina de seis caminhos), e no cristianismo, Purgatório. Entretanto, desejo chamar a atenção para um fato: o Mundo Espiritual do Oriente é mais verticalizado que o do Ocidente, e o Mundo Espiritual do Japão é o que se apresenta mais vertical. Por isso é que a sociedade japonesa é particularmente constituída de muitos níveis hierárquicos, e a sociedade ocidental, menos hierarquizada, mais propensa à igualdade. O objeto de minhas pesquisas foi o Mundo Espiritual do Japão; espero que não esqueçam esse fator, ao lerem minhas palavras.

 

Fundamentalmente, o Mundo Espiritual é constituído de nove níveis, pois tanto o Plano Superior, quanto o Intermediário e o Inferior são formados de três níveis. Após a morte, o espírito das pessoas comuns vai para o Plano Intermediário, mas o espírito daqueles que foram muito bons sobe imediatamente ao Plano Superior, e o dos perversos desce incontinenti ao Plano Inferior. Podemos ter mais ou menos uma idéia disso observando a forma como ocorre a morte.

 

Aqueles cujo espírito vai para o Plano Superior sabem a data aproximada em que vão morrer e, nessa ocasião, não sentem nenhum sofrimento; chamam os mais chegados, expressam seus últimos desejos e morrem em paz, como se a morte fosse a coisa mais natural. Ao contrário, aqueles cujo espírito vai para o Plano Inferior têm morte muito dolorosa, agonizando em meio a sofrimentos extremos. Os que vão para o Plano Intermediário estão sujeitos a sofrimentos menos dolorosos. A maioria dos espíritos vai para este plano, e podemos deduzir isso observando a face do cadáver. Se o espírito foi para o Plano Superior, não há nenhuma expressão de sofrimento; pelo contrário, a pessoa fica como se estivesse viva. Se foi para o Plano Inferior, a face do cadáver se apresenta escurecida ou preto-esverdeada, com uma expressão de agonia. A face daqueles cujo espírito foi para o Plano Intermediário, em geral, mostra-se amarela, como é o caso da maioria dos cadáveres.

 

Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano Intermediário. Para chegarem lá, eles têm de atravessar um rio. Nessa ocasião, um funcionário examina-lhes a roupa; se esta é branca, o espírito passa, mas se é de cor, ele é obrigado a trocá-la por uma de cor branca. Há duas versões: segundo uns, o espírito passa por uma ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa o próprio rio. Estes últimos falam, ainda, que o rio não tem água e que as ondas que se tem impressão de ver nada mais são que as ondulações dos corpos de inúmeros dragões se movimentando.

Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a veste branca apresenta-se tingida; a cor varia de acordo com a quantidade de máculas. A dos espíritos mais maculados tinge-se de preto. A seguir, por ordem decrescente de máculas, a veste pode tornar-se azul, vermelha, amarela, etc., sendo que a dos mais puros permanece branca.

 

Em seguida, de acordo com a tese budista, o espírito vai para o Fórum, onde é julgado. O julgamento é bem diferente do que ocorre no Mundo Material: caracteriza-se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de favoritismo nem de equívocos. Na hora do julgamento, os espíritos vêem de forma diferente a face de Enma Daio, o juiz. Para os perversos, Ele Se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente, abre a boca até às orelhas, e, quando fala, cospe fogo; só de vê-Lo o espírito já fica atemorizado. Entretanto, os bons vêem-No com uma expressão afável, branda e afetuosa, mas sóbria; o espírito, naturalmente, sente simpatia e respeito por Ele.

 

Um por um, os pecados são refletidos num espelho de cristal puro e, em seguida, julgados. O julgamento é precedido de uma investigação, procedendo-se, em seguida, à comparação das condições presentes do espírito com os outros registros seus existentes no Fórum. Quem exerce a função de juiz no fórum do Mundo Material também a exerce no Mundo Espiritual. Segundo o xintoísmo, o fiscal dos promotores é “Haraido no Kami” (deus da purificação), e o Enma Daio é a divindade chamada “Kunitokotati-no-Mikoto”.

 

Após receber a sentença, o espírito dirige-se para um dos três níveis do Plano Superior ou do Plano Inferior. Portanto, a “esquina de seis caminhos” a que aludimos, como o próprio nome indica, é a encruzilhada para ele ir a um daqueles níveis. Todavia, embora tenha ficado decidido que o espírito vai para o Plano Inferior, concede-se a ele mais uma oportunidade: fazer aprimoramento no Plano Intermediário, para a sua elevação. Aqueles que se arrependem e se convertem, ao invés de irem para o Plano Inferior como estava determinado, vão para o Plano Superior.

 

O trabalho de orientação é realizado pelos eclesiásticos das respectivas religiões, como faziam no Mundo Material. Tais eclesiásticos, após seu falecimento, recebem ordem para cumprir essa missão. No Plano Intermediário, o período de aprimoramento vai de alguns dias até trinta anos, e aqueles que não conseguem arrepender-se descem ao Plano Inferior. Há um outro fator ainda. Se os parentes, amigos e conhecidos lhe oferecem cultos após a morte – cultos feitos de coração, com toda a sinceridade – ou somam méritos e virtudes praticando o bem, fazendo feliz o próximo, a purificação do espírito desencarnado será acelerada. Por essa razão, a dedicação aos pais, a fidelidade ao cônjuge, etc., aqui no Mundo Material, revestem-se de grande significado mesmo após a sua morte, e eles ficam muito contentes com os cultos feitos em sua memória.

 

 

CONTINUAÇÃO PARTE 2 – SOBRE MUNDO ESPIRITUAL

DEMÔNIOS

 

O Universo inteiro movimenta-se pela Lei do Espírito Precede a Matéria. Todos os fenômenos surgem primeiramente no Mundo Espiritual e depois são projetados no Mundo Material em maior ou menor tempo, dependendo da grandeza do fenômeno. A projeção pode ocorrer em alguns dias ou após alguns anos. Entretanto, esse tempo será abreviado à medida que for se aproximando a Era do Dia, o que de fato está acontecendo. Isso, contudo, não é nada em comparação ao Mundo Espiritual, que, atualmente, acha-se numa situação confusa como nunca esteve. A rapidez com que ocorrem as transformações, por sua vez, também evidencia claramente o Final dos Tempos.

 

 

Aumento das atividades dos demônios

 

Hoje em dia, o que mais se pode observar é a atuação desesperada dos demônios. Eles exerceram grande influência durante milhares de anos, e à medida que se aproximam seus derradeiros momentos, estão se debatendo desesperadamente.

 

Entre os espíritos satânicos existem chefes; quem está atuando mais, agora, é o dragão vermelho e o dragão preto, e sua família chega a somar quase um bilhão de componentes. Entre eles também há classes – superior, média e inferior – e as tarefas são determinadas de acordo com elas. Os demônios se esforçam bastante para executar fielmente os trabalhos que lhes são ordenados, pois se sentem estimulados ante a possibilidade de subir de classe e receber prêmios, conforme seu mérito.

 

De sua sede, o chefe emite ordens que são transmitidas ao Espírito Secundário do homem, através dos elos espirituais. Nesse caso, atuam os demônios que correspondem à posição ou classe das pessoas aqui neste mundo, e sua missão é encaminhar o homem cada vez mais para o mal, utilizando-se de todos os meios.

 

É lamentável, mas isso se manifesta claramente na sociedade. Os métodos são de fato extremamente hábeis e cruéis. Por exemplo: os demônios fazem os homens de nível baixo cometer crimes perversos, como assassinatos, assaltos ou violências; se a pessoa está num nível mais elevado, induzem-na à fraude, à falsificação de dinheiro, de títulos, de obras de arte, etc. Fazem, também, com que o homem se divirta ludibriando mulheres e mocinhas por meio de palavras hábeis, praticando adultério e outras ações condenáveis. Quando a pessoa está acima desse nível, vê-se induzida à prática de crimes astuciosos, embora aparente ser pessoa de bem: usurpar a fortuna alheia, ganhar dinheiro enganando o próximo, subornar, sonegar, esconder produtos, negociar no mercado negro e outros atos escusos. Também é hábito desses demônios levar os homens a embriagar mulheres a fim de abusar delas.

 

Todos esses casos representam infração da lei; se as pessoas forem descobertas, serão consideradas criminosas. Contudo, há ocasiões em que elas são induzidas a praticar ações que parecem boas, mas que em verdade não o são. Isso ocorre mais frequentemente entre as pessoas de nível médio para cima, e, como nesses níveis existe um grande número de intelectuais, é preciso muito cuidado. Para inspirar confiança, eles sempre defendem teses orais ou escritas que à vista de qualquer um parecem corretas, mas secretamente fazem o contrário do que pregam. Tratando-se de indivíduos demasiadamente hábeis, todos confiam neles, e por essa razão torna-se difícil avaliar a justeza do que dizem. Isso acontece muito entre os políticos, entre os homens renomados, que gostam de polêmicas, e também entre aqueles que têm certa posição social, de modo que é necessário estar sempre prevenido.

 

 

O bem, do ponto de vista de Deus

 

Não há nada pior do que alguém se dedicar devotadamente a uma causa que acredita ser justa e os resultados mostrarem exatamente o contrário. As pessoas envolvidas nos incidentes de 15/05/32 e 26/02/36 incluem-se nesse caso, assim como aquelas que, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, cometeram atos pelos quais foram julgadas criminosas de guerra e executadas há pouco tempo.

 

Eis um crime que geralmente passa despercebido: uma pessoa devotar-se à prática de uma teoria, julgando-a maravilhosa, e, na realidade, estar causando desgraça aos seus semelhantes. Tais criaturas são dignas de pena, porque, com o cérebro bitolado pela Ciência, não têm possibilidade de compreender que são manipuladas pelo demônio.

 

Entretanto, existem pessoas de nível superior, como fundadores de religiões, grandes cientistas que descobriram novas teorias, pensadores renomados, etc., que estão acima da natureza humana e, por isso, frequentemente, tornam-se ídolos, sendo venerados e respeitados durante muitos séculos após sua morte. Evidentemente, não têm nenhuma parcela de maus pensamentos, nenhuma partícula de egoísmo, e entregam sua vida a uma causa; são dignos de admiração. Todavia, mesmo nessas realizações há pontos que beneficiaram a humanidade e pontos que lhe causaram danos. Por isso mesmo não são poucos os casos em que é impossível determinar méritos e deméritos. Torna-se desnecessário dizer que tais pessoas não têm nenhuma relação com o demônio, mas pode acontecer que suas obras sejam úteis até certa época e depois venham a ser prejudiciais. Entre os cientistas e os religiosos isso ocorre com freqüência. É comum chegar ao nosso conhecimento o caso de religiões que eram magníficas na época de sua fundação, mas que, com o tempo, acabaram relaxando, nelas surgindo conflitos e corrupção, de modo que se tornaram nocivas. Idêntico é o que acontece com certas teorias e teses: algo que na ocasião de sua descoberta era de grande importância para o mundo, muitas vezes, com o passar dos anos, pode vir a ser prejudicial.

 

Em suma, tudo faz parte do Plano de Deus, e para o progresso da cultura lutam o bem e o mal, intercalam-se o claro e o escuro, o belo e o feio. Assim, aproximamo-nos passo a passo do Ideal, que é o profundo Propósito Divino, insondável pela inteligência humana.

 

 

A morte pode ocorrer de muitas formas. Uns morrem de repente, por hemorragia cerebral, apoplexia, ataque cardíaco, desastre, etc., e quem nada conhece sobre o assunto diz que essas pessoas é que são felizes, porque não passam pelas angústias nem pelas dores da doença. Entretanto, nada mais errado; ninguém é mais infeliz do que elas. Como não estavam preparadas para morrer, mesmo habitando o Mundo Espiritual, não têm noção de que faleceram e continuam pensando que estão vivas. Além do mais, como os elos espirituais se mantêm após a morte, o espírito, através desses elos, tenta encostar num parente consanguíneo. Geralmente encosta em criança ou em pessoas fisicamente enfraquecidas, como senhoras anêmicas em consequência de parto, visto que nelas o encosto se torna mais fácil.

 

Essa é a causa da paralisia infantil autêntica, e também pode ser a causa da epilepsia. É por isso que a paralisia infantil frequentemente apresenta sintomas semelhantes aos da hemorragia cerebral. A epilepsia manifesta os sintomas dos instantes da morte. Por exemplo: quando a pessoa espuma, é porque se trata da incorporação do espírito de alguém que morreu afogado; se tem ataque ao ver fogo, trata-se da incorporação do espírito de uma pessoa que morreu queimada. Há diversos outros casos em que se manifestam condições relacionadas com morte antinatural. O sonambulismo também tem a mesma causa, assim como muitas doenças de origem espiritual.

Sobre mortes antinaturais, há um aspecto que convém conhecer.

 

Os espíritos daqueles que morreram assassinados, que se suicidaram, etc., durante algum tempo não podem sair do local em que ocorreu a morte, e são chamados de “espíritos presos à terra”. Geralmente eles ficam circunscritos a um espaço mais ou menos exíguo (de dez a cem metros) e, não suportando a solidão, tentam atrair companheiros. Por essa razão, tornam-se freqüentes as mortes nos locais onde aconteceram desastres, como estradas de rodagem e de ferro, nos locais onde houve afogamentos, como lagos e rios, ou onde alguém se enforcou.

 

Os “espíritos presos à terra” não podem desligar-se desses locais durante cerca de trinta anos, mas, de acordo com a atenção e o carinho que seus familiares lhes dispensam, oferecendo-lhes cultos para sua elevação, esse tempo pode ser muito abreviado. Por isso, devem dispensar uma atenção toda especial aos espíritos daqueles que não tiveram morte natural.

 

Todos os mortos, especialmente os suicidas, continuam no Mundo Espiritual com as dores e as angústias do momento em que morreram. Os suicidas se arrependem seriamente, porque o Mundo Espiritual é a continuação do Mundo Material. Por essa razão, se a morte ocorre em meio a sofrimentos, o espírito vai para o Plano Intermediário ou para o Plano Inferior, mesmo que se trate de uma pessoa bondosa. Quem era solitário antes de morrer continua solitário no Mundo Espiritual; os que não tinham sorte, continuam sem sorte.

 

Contudo, há casos particulares em que a situação no Mundo Espiritual torna-se o oposto do que era no Mundo Material. É o que acontece, por exemplo, com aqueles que enriqueceram à custa do sofrimento alheio. É, também, o caso dos avarentos. Indo para o Mundo Espiritual, eles ficam paupérrimos e se arrependem enormemente. Ao contrário, pessoas que no Mundo Material gastaram grandes somas para o bem da humanidade, acumulando méritos pelo altruísmo praticado, no Mundo Espiritual tornam-se ricas e afortunadas. Criaturas que aparentavam uma dignidade que não tinham, poucos meses ou um ano depois da passagem para o Mundo Espiritual tomam uma aparência de acordo com seu verdadeiro caráter. Isso se justifica porque o Mundo Espiritual é o mundo do pensamento, e aquilo que esconde o pensamento, ou seja, o corpo carnal, já não existe. Os pensamentos malévolos e indignos fazem com que o espírito tome um aspecto feio ou até horrível; já o espírito daqueles que acumularam méritos pelo seu altruísmo, toma uma aparência bondosa e agradável. Podem, pois, compreender a diferença entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material. Realmente, no Mundo Espiritual não há parcialidade de forma alguma.

 

Anos atrás, havia entre meus subordinados um jovem chamado Yamada. Um dia, ele me disse: “Peço licença para ir a Ossaka tratar de um assunto”. Sua expressão e seu comportamento não eram normais. Perguntei-lhe que assunto ele tinha a tratar naquela cidade, mas suas respostas foram evasivas e confusas. Decidi, então, examiná-lo espiritualmente. Nessa ocasião, eu estava pesquisando os fenômenos espirituais com grande interesse.

 

Fiz com que o rapaz se sentasse e cerrasse as pálpebras. Quando iniciei o exame espiritual, ele começou a se contorcer de dor. Manifestou-se, então, um espírito que se identificou como sendo o de um amigo seu.

 

Quando eu era empregado de uma firma de Ossaka – disse ele – fui despedido por um dos diretores, que acreditou nas calúnias de certo indivíduo. Fiquei num tal estado de inconformismo e desespero que me matei, tomando veneno. Pensava que, suicidando-me, estaria pondo fim na minha existência, que voltaria ao nada, mas, ao invés disso, os sofrimentos dos instantes da morte continuavam indefinidamente. Fiquei deveras surpreso e me arrependi seriamente do que havia feito. Ao mesmo tempo, pensei em vingar-me do diretor da firma, que fora o causador de tudo, e por isso encostei em Yamada, para levá-lo a Ossaka, e, por suas mãos, assassinar aquele homem”.

 

O espírito parecia estar padecendo intensamente e me suplicou que lhe aliviasse o sofrimento. Então eu lhe fiz ver seus erros e lhe ministrei nosso Tratamento. Imediatamente ele se sentiu aliviado e me agradeceu muitas e muitas vezes. Prometendo desistir do seu intento, retirou-se.

 

Durante o tempo em que o espírito esteve incorporado em Yamada, este ficou completamente inconsciente; depois, não se lembrava de nada do que tinha falado. Quando retornou a si, contei-lhe o que se passara. Ele ficou surpreso e, ao mesmo tempo, muito contente por se ver salvo de um grande perigo.

 

Pelo exposto, devem compreender que, embora esteja enfrentando o maior dos sofrimentos, o homem jamais deve cometer suicídio. Os casais que se suicidam por amor estão completamente afastados da realidade. Muitos pensam que, morrendo, vão para o Céu, onde deslizarão por um lago tranquilo, sentados numa folha de lótus, e viverão na maior felicidade. Isso é um grande engano. Vou explicar com mais detalhes.

 

Quando um homem e uma mulher se suicidam abraçados, os espíritos de ambos, ao entrarem no Mundo Espiritual, ficam grudados um ao outro sem poder separar-se, sujeitos a grandes incômodos. Como essa situação vergonhosa é vista pelos demais espíritos, não é pequeno o seu arrependimento. Casais que se matam por amor geralmente ficam colados costa com costa, ou barriga com costa, etc., conforme o pensamento e a atitude do momento da morte, e perdem toda a liberdade, o que torna tudo mais difícil. Os espíritos daqueles que tiveram relações sexuais imorais e abomináveis, como por exemplo, o incesto, além de ficarem grudados, se um fica de pé, o outro fica com a cabeça para baixo, de modo que a sua dor e desconforto estão além da imaginação. Quando se trata de relações imorais de eclesiásticos, professores e outras pessoas que devem dar exemplo às demais, evidentemente a pena é mais pesada.

 

 

Explicações Sobre Encosto

Atualmente, as pessoas vivem falando sobre degradação moral, aumento de crimes, política deficiente, etc. Vou mostrar que tudo isso tem profunda relação com a doença psíquica. Em primeiro lugar, explicarei a verdadeira causa desse tipo de doença. Todos vão se surpreender, mas, como se trata da própria Verdade, estou certo de que compreenderão, a menos que se trate de um doente mental.

 

A verdadeira causa da doença psíquica é física e, ao mesmo tempo, fenômeno de encosto. Para os homens da atualidade, que receberam uma educação materialista, talvez seja um pouco difícil entender isso, o que é plenamente justificável, pois lhes incutiram na mente que não se deve acreditar naquilo que não se vê. Porém, a Verdade é a Verdade, mesmo que a neguem. Se disserem que o espírito não existe, por ser invisível, terão de concluir que também não existe o ar nem os sentimentos.

 

O espírito existe porque existe; o fenômeno de encosto também existe porque existe. Se não partirmos desse princípio, não poderei explanar a minha tese. Assim, é melhor que aqueles que negam firmemente a existência do espírito não a leiam. Há pessoas que nos julgam supersticiosos, mas para nós elas é que o são; portanto, consideramo-las dignas de pena.

 

Mostrarei, a seguir, por que eu afirmo que a doença psíquica é um fenômeno de encosto.

 

Muita gente se queixa de ter o pescoço e os ombros enrijecidos. Creio mesmo que quase todos os japoneses se queixam disso. Aliás, pela minha longa experiência, posso afirmar que todas as pessoas apresentam esses sintomas. É raro alguém dizer o contrário, mas, em tais casos, o que acontece é que o pescoço e os ombros da pessoa se encontram tão rijos que se tornam insensíveis à dor. Esse enrijecimento constitui a verdadeira causa da doença psíquica. Posso imaginar o espanto e a surpresa dos leitores, mas creio que, com o desenrolar da explicação, vão acabar compreendendo.

 

Com o enrijecimento do pescoço e dos ombros, as veias que levam o sangue ao cérebro ficam comprimidas, causando anemia na parte frontal da cabeça. Aí está o problema, pois a anemia cerebral não se resume numa simples anemia. Como o sangue é espírito materializado, ela não é senão a falta de células espirituais que alimentam o cérebro, provocando o enfraquecimento espiritual, causa imediata da doença psíquica. Os espíritos aguardam essa oportunidade para encostar. A maioria é de animais como raposa, texugo e, mais raramente, cães e gatos, e sempre é um espírito desencarnado. Pode haver, também, encosto simultâneo de espírito humano e animal.

 

Analisando o pensamento humano, diremos que ele é constituído de razão, sentimento e vontade, os quais levam o homem à ação. A função da parte frontal do cérebro é comandar a razão, e a da parte posterior é comandar os sentimentos. Como prova disso, o amplo desenvolvimento da parte frontal da cabeça, nas pessoas de raça branca, indica a riqueza da razão; ao contrário, as de raça amarela possuem a parte frontal estreita e a parte posterior desenvolvida, indicando a riqueza dos sentimentos. Todos sabem que a raça branca é a mais racional, e a raça amarela a mais emotiva. A razão e o sentimento estão sempre em luta dentro do homem. Se a razão vencer, não há falhas, mas a pessoa torna-se fria; se o vencedor for o sentimento, os instintos ficam em liberdade, o que é perigoso. O ideal é os dois se harmonizarem e a pessoa não pender para um só lado, mas geralmente isso não acontece. Para o sentimento ou a razão se expressarem em ação, seja grande ou pequena, necessita-se da vontade, a qual provém de uma função situada em determinado ponto da zona umbilical. Essa é a origem de todas as ações, e a união dos três elementos – razão, sentimento e vontade – constitui a trilogia do pensamento.

 

O enfraquecimento espiritual na parte frontal da cabeça provoca insônia. Esta, na maioria das vezes, é causada por pontos solidificados na zona occipital direita, que comprimem as veias. Como a insônia acelera o enfraquecimento espiritual, os espíritos aproveitam a oportunidade para encostar. A parte frontal da cabeça é a sede de comando do corpo, e o espírito, ocupando essa parte, consegue dirigir livremente o indivíduo. Ele tem interesse em utilizá-lo à sua vontade, pois com isso se torna influente entre os companheiros. O ser humano nem pode imaginar como é grande esse interesse. Brevemente, baseando-me nas minhas observações, pretendo escrever sobre os espíritos de raposa.

 

Conforme eu vinha explicando, a razão controla constantemente o sentimento – que é o instinto do ser humano – cuidando para este não cometer erros. Por isso o homem pode, mesmo precariamente, levar uma vida normal, pois o instinto está sendo dominado pela razão que, funcionando como lei, mantém a ordem na vida. Portanto, se o homem perde a força dessa lei, o sentimento se desvia, livre e desenfreado. Eis o que é a doença psíquica.

 

Sabedor de que a lei está brilhando dentro da parte frontal da cabeça do homem, o espírito desejoso de dominá-lo encosta num certo ponto, objetivando aquela região. É claro que, se a pessoa estiver com a plenitude de sua energia espiritual, não há possibilidade de encosto.

 

A força de atuação do espírito é variável. Se na parte frontal da cabeça a energia espiritual da pessoa for de 100%, o encosto é impossível; se for 90%, o espírito encostará 10%; no caso de se tornar 80, 70, 60 , 50 ou 40%, o espírito encostado conseguirá manifestar uma força de 20, 30, 40, 50 ou 60%.

 

Quando a força da razão é 40%, torna-se impossível controlar a força do sentimento, que é 60%; assim, o espírito encostado pode governar livremente o homem. Como explanei no início, o enrijecimento do pescoço e dos ombros comprime as veias e causa o enfraquecimento espiritual, propiciando ao espírito encostado atuar na mesma proporção desse enfraquecimento.

 

Atualmente, todo mundo está nessas condições. Pode-se dizer, portanto, que não há ninguém com energia espiritual total; até aqueles que são respeitados na sociedade pela sua integridade moral têm deficiência de mais ou menos 20 a 30%. Às vezes acontecem coisas que nos levam a perguntar: Por que uma pessoa tão maravilhosa cometeu tal erro? Será que não entendeu aquilo? Por que será que falhou? E outras perguntas semelhantes. A razão de tais atitudes está nos 20 ou 30% de deficiência da energia espiritual da pessoa. Entretanto, essa porcentagem não é fixa; está constantemente oscilando. Mesmo quando tomam atitudes louváveis, os homens têm cerca de 20% de deficiência; quando têm maus pensamentos e por algum motivo cometem um crime, estão com aproximadamente 40% de deficiência. Isso é o que vemos acontecer com freqüência. Quando retorna aos 20%, em geral a pessoa se arrepende do que fez. Segundo um dito popular, ela foi tentada pelo demônio.

 

O normal é ter-se de 30 a 40% de enfraquecimento da energia espiritual, mas, conforme o motivo, a qualquer momento essa porcentagem pode ultrapassar os 50%. Nesse caso, as pessoas cometem crimes inesperados. Um exemplo disso é a histeria, cuja causa, quase sempre, é o encosto de um espírito de raposa, o qual domina a razão e, levado pelo ciúme ou pela ira, atua com uma força que excede o limite dos 50%. Assim, as pessoas fazem escândalos ou falam coisas incoerentes, nas quais nem estavam pensando. Mas isso não continua por muito tempo, porque aquele limite de 50% novamente se reduz. Sendo assim, o homem deve fazer o possível para manter o limite de no máximo 30% de enfraquecimento da sua energia espiritual; se chegar a 40%, já é perigoso.

 

Creio que, tomando conhecimento do que acabamos de explicar, poderão compreender perfeitamente por que há tantos criminosos hoje em dia. Como o espírito encostado é de animal, se a sua força de atuação ultrapassar o limite dos 50%, temporariamente o espírito da pessoa ficará nas mesmas condições daquele, embora a aparência seja de ser humano. A diferença mais notável entre o homem e o animal é que o primeiro tem capacidade de reflexão, mas o segundo não tem. A vontade do animal é apenas matar a fome, mas, como a ganância do homem é ilimitada, uma vez que ele manifesta características animais, revela uma crueldade inimaginável.

 

Como eu falei, já que não existe ninguém cujo espírito seja 100% forte; todas as pessoas – umas mais, outras menos – são influenciadas pelo encosto de um espírito; assim, proporcionalmente à força de atuação desse espírito, todas sofrem de doença psíquica. Falando sem reserva, não é exagero afirmar que todos os japoneses, sem exceção, são doentes mentais, mesmo que em pequena proporção.

 

Vou relatar minha experiência sobre isso.

 

Diariamente encontro dezenas de pessoas e converso com elas sobre vários assuntos, mas posso dizer que todas cometem falhas, que todas fazem coisas esquisitas; até mesmo as que merecem consideração social, embora nestas, normalmente, as falhas não sejam percebidas. Sendo assim, creio que podemos dizer que a doença psíquica em menor grau está generalizada.

E não é só o que as pessoas dizem, mas também o que fazem. Pelas atitudes do dia-a-dia percebe-se claramente que quase ninguém tem bom senso. As criaturas não mostram o mínimo interesse pela etiqueta e pelas boas maneiras. Em geral, quando entram na sala e me cumprimentam, olham para lugares como a parede, o jardim, etc. Há algumas que são cheias de mesuras, e outras, ao contrário, secas demais, pelo que se pode concluir que todo mundo é doente psíquico em pequeno grau.

 

 

AS TRÊS GRANDES CALAMIDADES E AS TRÊS PEQUENAS CALAMIDADES

 

Vou explicar o significado fundamental das Três Grandes Calamidades – vento, chuva e fogo – e das Três Pequenas Calamidades – fome, doença e guerra – comentadas desde eras remotas.

 

O vento e a chuva são ações purificadoras do espaço entre o Céu e a Terra, causadas pelas máculas acumuladas no Mundo Espiritual, isto é, impurezas invisíveis. Dispersá-las com a força do vento e lavá-las com a chuva é a finalidade da tempestade. Mas que máculas são essas e de que forma se acumulam?

 

São máculas formadas pelos pensamentos e palavras do homem. Pensamentos que pertencem ao mal, como ódio, insatisfação, inveja, cólera, mentira, desejo de vingança, apego, etc., maculam o Mundo Espiritual. Palavras de lamúria, inclusive em relação à Natureza, como, por exemplo, comentários desairosos sobre o tempo, o clima e a safra, censuras e agressões às pessoas, gritos, intrigas, cochichos, enganos, repreensões, críticas e outras coisas desse gênero também partem do mal e maculam o Reino Espiritual das Palavras, que, em relação ao Mundo Material, situa-se antes do Reino do Pensamento. Quando a quantidade de máculas acumuladas ultrapassa certo limite, surge uma espécie de toxinas que causarão distúrbios na vida humana, e então ocorre a purificação natural. Essa é a Lei do Universo.

Como expliquei, as máculas do Mundo Espiritual, ao mesmo tempo que influenciam a saúde do homem, afetam as ervas, as árvores e principalmente as plantações, tornando-se a causa da má colheita e do alarmante aparecimento de insetos nocivos. É esse o motivo pelo qual, atualmente, estão surgindo pragas que secam pinheiros e cedros em todas as regiões do Japão. Portanto, se os japoneses não se elevarem muito, será difícil evitar que isso aconteça. Em outras palavras: os erros dos próprios japoneses estão secando os pinheiros e os cedros do seu país, de modo que eles precisam moderar bastante o seu pensamento e as suas palavras.

 

Tal como nas calamidades naturais, nas calamidades humanas também há algo de aterrorizador, principalmente na guerra – aquela que maiores danos causa ao homem. Sobre as causas da guerra, apresentarei uma tese nova, que poderá surpreender, por ser algo fora de qualquer expectativa. Gostaria de que os leitores lessem com toda a atenção.

 

A guerra é a luta de grupos, e até hoje a humanidade tem demonstrado mais propensão a ela que à paz. E não é só internacionalmente. Observando cada região de um país, veremos que quase não há lugares sem conflito. Nas repartições, nas firmas, nas associações, enfim, em qualquer grupo, sempre há lutas nos bastidores, ininterruptamente, e as pessoas vivem se criticando e se rejeitando. Observamos, ainda, conflitos entre profissionais, conflitos no lar, entre casais, entre irmãos, entre pais e filhos, conflitos entre amigos, etc. O homem realmente aprecia muito os conflitos. Notamos que frequentemente eles ocorrem até no interior de transportes, ou na rua, com os transeuntes. Creio ser desnecessário continuar enumerando todos os conflitos que existem entre os homens. Vou explicar a causa dessa tendência humana.

 

Todas as pessoas possuem toxinas de diversas espécies, inatas ou adquiridas após o nascimento. Essas toxinas se acumulam no local em que os nervos são mais instados pelo homem, isto é, do pescoço para cima. Mesmo que as mãos e os pés estejam descansando, órgãos como o cérebro, os olhos, o nariz, a boca, os ouvidos e outros estão em constante ação enquanto o homem se encontra acordado. É natural, portanto, que as toxinas se reúnam nas proximidades desses órgãos. Essa é também a causa do enrijecimento da região do pescoço e dos ombros, de que muitos se queixam. À medida que as toxinas se acumulam, vão se solidificando, e, quando a solidificação atinge certo estágio, surge a ação contrária, isto é, a dissolução e eliminação, a que nós chamamos processo purificador. Ele é sempre acompanhado de febre, que surge para dissolver as toxinas solidificadas e, assim, facilitar a sua eliminação. Essa purificação natural é o resfriado; excreções como escarro, coriza, suor, etc., representam eliminação das toxinas.

 

A grande maioria das pessoas está constantemente em processo de purificação, com resfriado ameno, mas, sendo ele quase imperceptível, elas se julgam sadias, o que não corresponde absolutamente à verdade. Casos se submetam a um exame minucioso, será constatado, infalivelmente, que elas têm um pouco de febre da cabeça aos ombros, apresentando, entre outros sintomas, peso e dor de cabeça, secreção ocular, coriza, zumbido no ouvido, piorreia e enrijecimento do pescoço e dos ombros. Por isso, sempre há uma certa indisposição. Essa indisposição é a origem da ira, que se concretiza em forma de conflito, cujo aumento, por sua vez, acaba em guerra. Assim, para extinguir o espírito belicoso, só há um método: eliminar aquela indisposição. Eis por que, quando a pessoa se sente bem, não se incomoda ao ouvir alguma coisa desagradável, mas, se ela está indisposta, não consegue evitar a ira. Creio que quase todos já tiveram essa experiência.

 

É muito comum vermos bebês que choram muito. Geralmente se diz que eles são nervosos, mas, se forem examinados, sempre se constatará um pouco de febre em sua cabeça e na região dos ombros. Embora se trate de bebês, muitos têm os ombros endurecidos. Em tais casos, com a ministração de nossa Terapia, as toxinas diminuirão, cessará a febre e eles deixarão de chorar constantemente. Com as crianças que facilmente se irritam acontece o mesmo, mas por meio da Terapia o problema se resolve, e elas se tornam obedientes; além disso, seu nível de aproveitamento escolar também melhorará. O conflito entre casais tem a mesma origem; recebendo Terapia, eles conseguirão se harmonizar.

 

Como a causa fundamental do conflito é a febre decorrente da dissolução das toxinas da cabeça e da região do pescoço e dos ombros, o único meio de solucioná-lo é eliminar completamente a febre. Então não será exagero afirmar que o Tratamento da nossa Instituição, apesar de o mundo ser tão grande, é o único, inigualável, absoluto e radical meio de eliminação do conflito. O mesmo podemos dizer em relação a todos os problemas que hoje constituem motivo de sofrimento.

 

Ideologias destrutivas ou que fomentam lutas de classes também têm origem na insatisfação e nas queixas provenientes da indisposição das pessoas. Muitos, para fugirem dela, inconscientemente procuram sensações fortes, e isso, evidentemente, resulta em crimes, alcoolismo, devassidão, ociosidade, brigas, etc.

 

Fazendo mau uso da razão, os materialistas ambiciosos de cada época geram o aumento da insatisfação e das queixas, instigam a guerra e provocam a revolução social de caráter nocivo. Consequentemente, para se construir a paz eterna sobre a Terra, em primeiro lugar se deve erradicar a indisposição de cada homem e aumentar-lhe o bem-estar. Não há dúvida de que, assim, o ser humano abominará o conflito e amará a paz.

 

 

Textos muito importantes sobre

Egoísmo e Apego X Gá (Ego, Eu)

 

EGOÍSMO E APEGO

 

Notamos que todas as pessoas manifestam em seu caráter dois traços irmãos – egoísmo e apego – e que nos problemas complicados há sempre interferência desses sentimentos.

 

Temos casos de políticos que acabaram na miséria porque o apego às posições os fez perder a melhor oportunidade de se afastarem da vida pública. Eis um bom exemplo da inconveniência do egoísmo e do apego.

 

Há industriais que, devido ao apego que têm ao dinheiro e ao lucro, irritam seus fornecedores, prejudicando as transações comerciais.

 

Momentaneamente, o negócio se lhes afigura vantajoso, mas, com o tempo, mostra-se contraproducente.

 

Na vida sentimental, quem muito se apega geralmente é desprezado; muitas vezes os problemas nesse terreno surgem do excesso de egoísmo.

 

O passado nos revela como os egoístas provocam conflitos e se atormentam, pelos sofrimentos causados ao próximo.

 

Já dissemos que o principal objetivo da Fé é erradicar o egoísmo e o apego. Tão logo me conscientizei disto, empenhei-me em exterminá-los. Como resultado, meus sofrimentos se amenizaram e tudo corre normalmente em minha vida. Há um ensinamento que diz: “Não sofra antecipadamente pelo que ainda não ocorreu, nem pelo que já passou”. São palavras de grande sabedoria.

 

A finalidade do aperfeiçoamento no Mundo Espiritual é a extinção do apego. A posição do nosso espírito se eleva à medida que o apego se reduz.

 

No Mundo Espiritual, é raro que marido e mulher permaneçam juntos. A razão do fato está na diferença da posição que o espírito de cada um alcançou. O convívio dos dois só lhes será possível quando estiverem nivelados, como habitantes do Reino do Céu. Entretanto, aqueles que alcançarem certo grau de aperfeiçoamento terão licença de se encontrar, embora estejam em camadas espirituais inferiores. Mas o encontro durará apenas um instante, e a licença lhes será concedida pelas divindades que superintendem os níveis em que eles estão situados. Não haverá permissão para que, levados pela saudade, os cônjuges se abracem; à mínima intenção de teor mundano, seus corpos ficarão rijos e perderão o movimento. Isso demonstra como o apego é condenável.

A posição do espírito vai se elevando de acordo com a redução do apego, mediante o aprimoramento no Mundo Espiritual. Sendo assim, o encontro de marido e mulher irá sendo facilitado conforme eles forem subindo de nível.

 

Creio que, com o que acabamos de dizer, demos ao leitor uma clara noção da diferença entre o Mundo Material e o Mundo Espiritual.

 

Outro aspecto negativo do apego refere-se às pessoas que se mostram insistentes quando convidam outras a participarem de sua crença, dando a impressão de serem muito dedicadas. Isso não dá bom resultado. Impingir a Fé é um sacrilégio aos olhos de Deus. Quem prega uma religião só deve insistir se observar que o outro está interessado. Se a pessoa não demonstra interesse, é melhor desistir e esperar o tempo oportuno.

25 de janeiro de 1949

 

 

DOMINE O “GA”

 

Na vida cotidiana do homem, não há coisa mais temível do que o “ga” (eu, ego). Isso pode ser bem compreendido se atentarmos para o fato de que, no Mundo Espiritual, a eliminação do “ga” é considerada o aprimoramento fundamental.

 

Quando eu era da Igreja Oomoto, encontrei, no “Ofudesaki”, as seguintes frases: “Não há coisa mais temível do que o ‘ga’; até divindades cometeram erros por causa dele.” E também: “Devem ter ‘ga’ e não devem ter ‘ga’; é bom que o tenham, mas não o manifestem.” Fiquei profundamente impressionado pela perfeita explicação da verdadeira natureza do “ga” em frases tão simples. É escusado dizer que elas me induziram a uma profunda reflexão.

 

Havia, ainda, esta frase: “Em primeiro lugar, a docilidade.” Achei-a extraordinária. Isto porque, até hoje, para aqueles que seguiram docilmente os meus conselhos, tudo correu bem, sem fracassos. Há pessoas que não são bem sucedidas por terem um “ga” muito forte. É realmente penoso ver os constantes fracassos decorrentes do “ga”.

 

Como foi exposto, o princípio da Fé é não manifestar o “ga”, ser dócil e não mentir.

18 de fevereiro de 1950

 

 

ENTREGUE-SE A DEUS

 

Frequentemente aconselho às pessoas: “Entreguem-se a Deus”.

 

Entregar-se inteiramente a Deus é jamais se preocupar com o que possa acontecer. Isso parece fácil, mas na realidade não o é. Eu mesmo faço um grande esforço para agir assim; entretanto, as preocupações surgem-me involuntariamente. Neste mundo cheio de perversidade, é quase impossível viver sem preocupações. Mas o homem de fé torna-se diferente dos demais: tão logo lhe surge um problema, lembra-se de entregá-lo a Deus. Sente-se, pois, aliviado.

 

Gostaria de salientar um ponto que a maioria das pessoas desconhece. Se interpretarmos espiritualmente o ato de preocupar-se, verificaremos que ele representa uma forma de apego. É o apego à preocupação. Isso constitui um grave problema, porque influi maleficamente sobre todas as coisas.

 

O apego apresenta-se como desejo de fama, dinheiro e satisfação de todas as vontades. Entretanto, ainda há outros apegos de caráter maligno. Por exemplo, referir-se a alguém dizendo: “Fulano não merece perdão, é um insolente. Eu o detesto, vou dar-lhe uma lição”. Esse pensamento expressa o desejo obstinado de que aconteça algo mau à pessoa.

 

Mas não me prenderei a essas conhecidas formas de apego; pretendo analisar aquelas que nem todos percebem, tal como a preocupação em relação ao futuro e o sofrimento pelo que já passou. Quando se trata de um religioso, embora Deus queira protegê-lo, o apego forma espiritualmente um obstáculo. Quanto mais forte o apego, mais fraca é a proteção Divina; daí nem sempre as coisas correrem como gostaríamos. Vejamos. É difícil conseguir de imediato aquilo que se deseja intensamente, mas todos sabemos, por experiência própria, que é comum esse desejo se concretizar a partir do momento em que, considerando-o inviável, a pessoa se resigna.

 

Às vezes, querendo obter algo, tudo nos parece fácil, mas nada conseguimos. E, mais uma vez, o desejo se concretiza repentinamente, quando já o tivermos esquecido.

 

Na prática do nosso Tratamento, a Terapia Japonesa EHT acontece o mesmo. Se houver intensa vontade de curar alguém “de qualquer maneira”, a recuperação torna-se mais difícil. Entretanto, quando o ministramos com desprendimento, ou quando a pessoa o recebe com certa desconfiança, inesperadamente sobrevêm bons resultados. Frequentemente, apesar do esforço de toda a família, o doente em estado grave acaba morrendo. Observa-se que é relativamente mais fácil a cura de um enfermo quando este e sua família se preocupam menos, ficando um tanto indiferentes ante a ideia da morte.

 

Temos, ainda, o caso de o doente e seus familiares, ansiosos pela cura, verem a doença ir se agravando sempre, até chegar ao ponto em que, ante a perspectiva do inevitável desenlace, todos se resignam. É então que sobrevêm melhoras rápidas, e firma-se a cura. Aquele que reage, confiando somente no poder de sua força de vontade, certo de que vai se curar, quase sempre morre. É um fato curioso. A causa principal está no apego à vida.

 

Esses exemplos mostram a perigosa influência do apego.

 

Ao nos depararmos com um doente desenganado, é bom insinuar-lhe, bem como à sua família, que, diante da improbabilidade da cura, vamos pedir a Deus pela sua infalível salvação no Mundo Espiritual. A partir daí, com a ministração da Terapia, muitas vezes a doença começa a ceder. O mesmo se aplica no relacionamento entre pessoas de sexos opostos. O demasiado interesse de uma afasta a outra. Pode parecer irônico, mas é o apego que esfria o coração. Aliás, a maioria dos acontecimentos tem, realmente, caráter irônico. Por isso, são complicados e curiosos.

 

Considerando que quase sempre o apego é a causa do insucesso, tenho por hábito aconselhar às pessoas que provoquem o efeito contrário. É a ironia das ironias, mas é a pura verdade.

28 de novembro de 1951

 

 

O HÁBITO DA MENTIRA

 

Entre as várias espécies de hábitos, existe um, pouco percebido, que é o da mentira. O homem moderno mente demais, baseando-se na ideia errônea de que será bem sucedido. A maioria, acostumada a esse mau hábito, nem sequer toma consciência de que está mentindo. Quando isso ocorre com os meus subalternos, costumo chamar-lhes a atenção, mas muitos deles parecem ter perdido a noção da diferença entre a verdade e a mentira. Só percebem haver mentido e pedem desculpas depois de eu lhes ministrar uma lição bem clara a respeito. O hábito faz com que o povo moderno se perca incapaz de distinguir os limites entre a mentira e a verdade.

 

Deixarei de lado as mentiras inconsequentes, que não merecem análise especial, para cuidar das maiores, mais graves, por serem conscientes e premeditadas. Entre elas, começaremos por analisar as mentiras proferidas pelos políticos. Estes, muitas vezes, são censurados por deixarem de cumprir as promessas de uma boa política e planejamento, feitas durante pomposas propagandas eleitorais. Há, também, muitos parlamentares que desprezam os compromissos assumidos com os seus eleitores, julgando essa atitude perfeitamente normal. Existem educadores cujos atos contradizem a grandeza de suas palavras, e é comum os jornais publicarem artigos de caráter duvidoso. As propagandas exageradas não constituem exceção.

 

Os impostos representam o maior problema. É uma competição de mentiras, entre fiscais e contribuintes, de caráter sumamente complicado e desagradável. Há médicos que mentem, dando esperanças a pacientes incuráveis. Também desaprovo os bonzos que fazem uso freqüente das “mentiras de ocasião”. As conhecidas táticas empregadas pelos comerciantes são mentiras aceitas pelo público. Com estas variedades, embora resumidas, podemos afirmar que o mundo é um complexo de mentiras.

 

 

 

Talvez achem incrível o fato de um promotor mentir, mas isso acontece de vez em quando. A prova se evidencia no notável esforço que o Ministério Público vem empregando, baseado em suposições, para criar criminosos, desde a ocorrência de um caso até o julgamento final. Sempre que isso se repete, penso insistentemente no motivo de tanto interesse em culpar cidadãos inocentes. É realmente um enigma, para o qual não existe explicação. A profissão de promotor exige a condenação de um criminoso, mas a condenação de um inocente foge ao nosso raciocínio. É difícil saber prontamente se um suspeito é ou não responsável por um crime, mas creio ser possível distinguir o branco do preto, após uma breve investigação.

 

O desejo de mentir vem do pensamento otimista segundo o qual é impossível a mentira vir à luz. A teoria da inexistência de Deus favorece o argumento de que a mentira perfeita é sinal de inteligência – o que constitui um erro gravíssimo, a existência de Deus é uma realidade, e a mentira, mesmo bem pregada, é passageira, estando sempre sujeita a ser descoberta. Isso acarreta um grande prejuízo a quem mente, porque, contrariando seu objetivo primordial, a pessoa se expõe à vergonha de ter o seu crédito destruído e ser-lhe imposto um castigo. O mentiroso pensa que Deus não existe, simplesmente porque Ele é invisível. Neste ponto, iguala-se aos selvagens, que não acreditam na existência do ar porque não o veem. Pobre homem civilizado, completamente mergulhado no hábito da mentira!

5 de setembro de 1951

 

 

NÃO SE IRRITE

 

Diz um velho ditado: “Tolerar o que é fácil está ao alcance de todos, mas a verdadeira tolerância significa tolerar o que é intolerável”. Outro ditado aconselha: “Carrega sempre contigo o saco da paciência e costura-o toda vez que ele se romper”. Encontro boas razões nesses conselhos.

 

As pessoas me perguntam: “Que práticas ascéticas o senhor realizou? Subiu alguma montanha para banhar-se numa cachoeira, jejuou ou fez outras penitências?” Então esclareço que jamais pratiquei tais coisas. Todas as minhas “penitências” consistiram em tolerar a tortura das dívidas e reprimir a ira. Quem ouve, fica espantado, mas é a pura verdade. Creio que Deus determinou aperfeiçoar-me mediante purificações desse tipo, pois continuamente têm aparecido fortes motivos para eu ficar irritado. Por natureza, detesto irritar-me, mas há sempre alguma coisa que me afeta nesse sentido.

Certa vez, passei por tanta vergonha devido a um desentendimento que mal conseguia encarar as pessoas. Minha indignação atingia o auge e eu não conseguia reprimi-la. Foi quando me fizeram um convite para comparecer a uma festa. Nas circunstâncias, o convite era irrecusável. Lá, entretanto, permaneci desligado, sem poder concentrar meu espírito. Tomei até uma dose de saquê, para me descontrair. Isso demonstra como eu estava perturbado. Somente após alguns dias consegui recobrar a tranquilidade.

 

Mais tarde, vim a saber que a minha ida àquela festa salvou-me de uma grande desgraça. Se não fosse a indignação daquele momento, eu não teria comparecido a ela, e teria recebido um golpe fatal. Realmente fui salvo pela ira e não pude conter minha gratidão.  

 

Quem tem missão importante é submetido por Deus a muitos aprimoramentos. Creio que ter de reprimir a raiva é uma das maiores provas. Aqueles que têm muitas razões para irritar-se devem compreender que sua missão é grandiosa. Se conseguirem resistir a todo tipo de provocação, mantendo calma absoluta, terão concluído uma etapa do seu aprimoramento.

Há um episódio interessante que eu gostaria de relatar.

 

Na Era Meiji, houve um homem famoso pela sua paciência, o Sr. Buei Nakano, presidente do Conselho Privado de Comércio. Uma vez lhe perguntaram qual era o segredo de seu espírito de tolerância. Ele respondeu: “Por natureza, eu era irascível. Mas, certo dia, ao visitar o grande industrial Eiichi Shibuzawa, ouvi-o discutindo com a esposa no cômodo contíguo àquele em que eu estava. Informado de minha presença, ele abriu a porta corrediça e veio sentar-se junto a mim. Trazia a fisionomia serena de sempre; nem parecia vir de uma discussão. Admirei-me e, ao mesmo tempo, tive a revelação de algo importante: o poder de controlar a ira. Compreendi que aquele era o segredo de seu prestígio no mundo industrial, e que eu devia seguir seu exemplo e esforçar-me para reprimir a cólera com facilidade. Desde então passei a disciplinar-me nesse sentido, e tudo começou a correr normalmente em minha vida, até eu atingir a condição atual.

 

Lembrem-se, pois, de que Deus treina e disciplina aqueles que têm uma grande missão a cumprir.

 

Gostaria de voltar ao assunto das dívidas.

Baseado na minha própria experiência, concluí que as dívidas são motivadas pela precipitação, que nos faz forçar situações.  

 

Jamais devemos forçar uma situação. Se o fizermos, talvez obtenhamos um êxito passageiro; entretanto, mais cedo ou mais tarde, seremos colhidos pelas consequências, enfrentando obstáculos inesperados. É possível que, após um rápido sucesso, nos vejamos forçados a voltar ao ponto de partida. Examinando as causas da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, veremos que houve quem forçasse muito a situação.

 

Impor soluções e precipitar providências provoca desequilíbrio mental e impede as boas inspirações. Pior ainda é agir à força, de qualquer maneira, na falta de ideias. Só devemos tomar resoluções depois que surge a ideia apropriada, isto é, quando houver certeza de que o plano concebido não vai falhar. Em outras palavras, é preciso aplicar o método: “Pense duas vezes antes de agir”.

 

Quase sempre é muito difícil o pagamento das dívidas. Se elas se prolongarem, os juros aumentarão, causando grande sofrimento moral.

 

Existem dívidas ativas e dívidas passivas. As ativas, fazemo-las para investir em negócio rendoso; as passivas, para cobrir prejuízos. Embora muitas vezes estas últimas sejam inevitáveis, não devemos contraí-las. Se formos vítimas de prejuízos, devemos abandonar toda ostentação e falsa aparência, reduzir os nossos gastos e esperar que surjam novas oportunidades.

 

Também desejo chamar a atenção para um ponto importante: a ganância. Consideremos o velho ditado: “Quem tudo quer, tudo perde”. Os prejuízos geralmente são causados pela ambição de ganhar demais. Não existe, neste mundo, o pretenso “negócio-da-china” que tantos vivem a propor. Desconfiemos desse tipo de negócio. O empreendimento que não parece grande oferece melhores perspectivas. Exemplificarei com minha própria experiência.

 

Certa ocasião, eu precisava de dinheiro para saldar dívidas e impulsionar a obra religiosa. Não foi fácil consegui-lo; enquanto eu o desejava muito, não entrava dinheiro algum. Por fim, resignei-me, deixando o problema nas mãos de Deus. Quando eu já estava esquecido de tudo, comecei a receber inesperadamente grandes somas. Percebi, então, que o mundo não pode ser explicado em termos de raciocínio comum.

25 de janeiro de 1949

 

 

VENCER A IRA

 

Não faz muito tempo que Deus me ensinou a vencer a ira. Agora pretendo transmitir-lhes esta boa-nova, pois não há nada que nos cause tanto sofrimento.

 

Existem indivíduos que nunca ficam irados, dando a impressão de que sempre estão felizes. Eles pertencem a um tipo excepcional de pessoas; entre as criaturas comuns, podemos afirmar que não há uma sequer que não seja atingida pela ira. Os antigos já ensinavam várias maneiras de controlar esse sentimento, mas, em geral, elas não produzem o efeito verdadeiro, porque apenas servem para contê-lo e não para eliminá-lo. Contendo a ira, podemos fugir ao sofrimento causado por ela; no entanto, isso traz em si um novo sofrimento. Portanto, não é a solução. Quanto maior a ira, maior o sofrimento para controlá-la. Fica isso por aquilo. Só a forma ensinada por Deus pode eliminá-la com facilidade. Mostrarei como é maravilhosa.

 

A parte superior do estômago, situada no centro do corpo humano, é uma região muito importante, tradicionalmente chamada de plexo solar. Dizem que o centro do corpo é o umbigo, mas este é o centro da região abdominal, onde está a sede da vontade, tal como a coragem e a decisão. Conforme digo sempre, a parte frontal da cabeça governa a razão, ou seja, a inteligência, a memória, etc; a parte posterior comanda os sentimentos: a alegria, a ira, a dor, o prazer e outros.

 

Como a região abdominal é o que foi explicado, o fruto global da trilogia vontade – razão – sentimento constitui o plexo solar; assim, por ocasião da ira, o pensamento concentra-se nessa região. Quando alguém fica irado, sente como se fosse uma massa ou um nó na parte superior do estômago; todos já experimentaram essa sensação e sabem disso. Se, nesse momento, a pessoa recebe Terapia no plexo solar, aquela massa ou nó se dissolve e, em alguns minutos, ela tem a impressão de que um laço está se desatando e de que seu peito está se abrindo. É, então, invadida por uma sensação muito agradável. Aos poucos, sentir-se-á aliviada e até com vergonha de ter se zangado. Daí a expressão: “A raiva se derreteu”. E acontece isso mesmo. Além do mais, como a Terapia Japonesa possibilita não só a cura de outras pessoas, mas também do próprio ministrante, não há nada melhor do que essa prática. Ora, torna-se desnecessário dizer que a ira é a causa dos conflitos pessoais e familiares e, numa escala maior, dos conflitos sociais e da quebra da paz entre os países. Sendo assim, podemos afirmar que é realmente uma grande salvação essa forma maravilhosa de eliminá-la.

30 de maio de 1951

 

 

PRESUNÇÃO

 

Existem adeptos fervorosos que criticam os métodos dos dirigentes da nossa Instituição, impacientando-se quando estes não ouvem seus conselhos relativos às reformas que lhes parecem necessárias. Como o número desses adeptos é muito grande, escreverei sobre o assunto.

 

Não condeno os membros (Terapeutas) que agem assim, pois sua atitude é ditada pela sinceridade; mas o fato exige muita reflexão, porque o pensamento deles está baseado na fé “Shojo”. A nossa Instituição caracteriza-se pela fé “Daijo” e por isso difere muito do pensamento comum da sociedade em geral.

 

Julgar o próximo é uma presunção. Se não reconhecermos esse ponto, não poderemos agradar a Deus. Somente Ele conhece a bondade e a maldade dos homens. Já escrevi a respeito uma vez e aconselho muita prudência. Caso o membro (Terapeuta) estiver errado ou for má pessoa, Deus se encarregará de julgá-lo, sendo desnecessário qualquer preocupação de nossa parte. A preocupação não significa falta de confiança no poder de Deus? Isso é comprovado por inúmeras experiências de antigos fiéis que foram julgados por Deus, muitos deles perdendo até a vida por causa de uma fé errada. Portanto, devem conhecer a si próprios muito bem, antes de pretenderem julgar o próximo.

 

Não há membros com más intenções, já que ingressaram em nossa Instituição. Sei perfeitamente que todos são sinceros; entretanto, como há vários níveis de sinceridade, é preciso muita atenção. Isso nada mais é do que a minha costumeira frase: O Bem de “Shojo” vem a ser o Mal de “Daijo”. Qualquer bem ou sinceridade de caráter restrito resulta em mal.

 

Desde a criação deste mundo, nunca houve Instituição que tivesse um objetivo tão elevado quanto o nosso, isto é, salvar toda a humanidade. Por conseguinte, os problemas internos da Instituição devem ser confiados a Deus. Os membros precisam ter sempre em mente a sociedade, o mundo, ou melhor, dirigir a vista para fora, e não para dentro.

 

Desejo acrescentar que a Providência de Deus é demasiado profunda para ser compreendida pela inteligência humana. Nos Ensinamentos da Igreja Omoto consta a seguinte passagem: “Aquele que considera o Mundo Divino inatingível pela sabedoria humana é um esclarecido.” E também esta: “Pergunto se seria possível fazer a reconstrução dos três mil mundos com uma Providência facilmente compreendida pelos seres humanos.” Estas palavras são realmente simples e bem claras.

12 de setembro de 1951

 

 

NÃO JULGUE

 

O fato de ainda haver, entre os membros, uma maioria que comenta: “Fulano é bom, beltrano é mau”, “isto é um obstáculo, aquilo não”, significa que os Ensinamentos não foram assimilados completamente.

 

Já repeti várias vezes que julgar o próximo é o mesmo que profanar a posição de Deus. É um erro gravíssimo, para o qual peço muita atenção. O homem é incapaz de discernir o bem do mal. Se ele julga ter conseguido esse discernimento, é porque atingiu, inconscientemente, o auge da presunção. Isso prova que ele nem ultrapassou o portão da Fé.

 

Devem também levar em consideração que a Providência Divina não é fácil de ser compreendida pelo raciocínio humano. Querer compreendê-la com a fé “Shojo” é o mesmo que espreitar o céu através de um orifício. Já me cansei de repetir que não permaneçam nesse tipo de fé, porque só se consegue conhecer a Vontade de Deus com a fé “Daijo”. Mas isso parece ser difícil, pois, infelizmente, há pessoas que persistem no erro.

 

Observando a sociedade em que vivemos, notamos que ela apresenta um aspecto limitado em todos os setores. De vez em quando, os jornais anunciam escândalos pela disputa de poderes entre facções criadas dentro das organizações religiosas. Não constituem exceção os partidos políticos, as empresas e outras associações, sendo escusado falar sobre os prejuízos causados à eficiência e progresso dos empreendimentos.

 

Deus quer reconstruir este mundo justamente por causa de tais erros. Um estudo aprofundado mostra-nos que todos eles resultam dos princípios “Shojo”. Ora, se não partirmos dos princípios “Daijo”, jamais surgirá uma sociedade sadia e altruísta. Assim, espero que, se os nossos fiéis ainda possuem resquícios de pensamentos estreitos e vulgares, tomem consciência disso o quanto antes e procurem reformar sua mente, para se tornarem verdadeiros messiânicos. Com a intensificação gradual da purificação, o Juízo Divino se tornará mais severo, e, se não o fizerem agora, será tarde demais para arrependimentos.

 

São realmente verdadeiras estas palavras que aparecem insistentemente nos Ensinamentos da Igreja Omoto: “A presunção e o engano são causas de grandes desgraças.” Têm o mesmo sentido as palavras de Jesus: “Não julgueis.” O importante é a pessoa julgar a si própria, não se intrometendo nos atos alheios.

 

Os nossos adeptos já sabem que ninguém deixa de ter toxinas no corpo. O mesmo acontece no terreno espiritual: ninguém deixa de apresentar máculas, razão pela qual Deus procura salvar-nos através da purificação. Eu sei tudo que se passa dentro das pessoas. Como não me manifesto, elas se preocupam, achando que não sei de nada. No entanto, eu permaneço calado, entregando tudo nas mãos de Deus.

13 de maio de 1953

 

 

NÃO SEJA ODIADO

 

Já lhes falei que não devem odiar ninguém. Digo-lhes, também, que não devem ser odiados. Isso porque os maus pensamentos, o ódio, o ciúme, o desejo de vingança e outros sentimentos negativos chegam até nós através dos elos espirituais e nos atrapalham completamente. Ficamos mal humorados, perturbados e não podemos desempenhar corretamente nossas tarefas; nessas condições, o sucesso é impossível. Tomem, pois, o máximo cuidado.

 

Neste mundo, há muitas pessoas que não se incomodam de torturar o próximo e torná-lo infeliz. Apesar disso, são elogiadas pelo êxito que alcançam em suas profissões. Aqueles que procuram imitá-las, julgando ser esse o método certo para o sucesso, possuem vistas curtas.

 

Se o número dessas criaturas perversas aumentar, será difícil que o mundo melhore. O tempo nos revela, porém, que toda semente ruim produz mau fruto; os perversos serão infalivelmente destruídos.

 

Assim, para vivermos bem humorados, para os nossos trabalhos progredirem normalmente e para evitarmos grandes aborrecimentos, é preciso alegrar os nossos semelhantes, tornando-os felizes. Esse é um dos fundamentos da Religião. Quem age assim merece ser qualificado de “inteligente”. Por isso costumo afirmar que os perversos são ignorantes. Esta é uma verdade eterna.

18 de julho de 1951

 

 

ORDEM

 

Diz um antigo ditado: “Deus é ordem”. Há, também, um provérbio chinês que afirma: “Entre marido e mulher existem diferenças, e há ordem hierárquica entre velhos e jovens”. Concordo plenamente com ambos.

 

É surpreendente a desordem que reina ultimamente na sociedade. Quando as coisas não correm normalmente, a causa é a falta de ordem, principalmente tratando-se de problemas humanos.

 

Ordem e educação estão estreitamente relacionadas e isso exige especial atenção. Observemos a Grande Natureza. Nela tudo segue uma ordem predeterminada: o ano está dividido em quatro estações – primavera, verão, outono e inverno; os dias alternam-se com as noites; as plantas se desenvolvem obedecendo uma ordem: as flores da cerejeira jamais desabrocham antes das flores da ameixeira.

 

Podemos citar vários exemplos.

 

Não adianta fazer romaria às divindades depois de tratar de qualquer assunto, pois, nesse caso, a divindade foi posta em segundo plano. O mesmo se deve dizer em relação à ministração ou recebimento da Terapia. Quando se obedece à Lei da Ordem, o resultado é notável.

 

Tenho observado frequentemente pessoas que constroem casas assobradadas e reservam para seus filhos os aposentos do primeiro andar, ficando com os do térreo. Com esse procedimento, os filhos tendem a desobedecer aos pais, pois ocupam uma posição superior. O mesmo se dá no caso de patrão e empregado. É preciso muito cuidado nesses assuntos.

 

Pode parecer insignificante, mas a disposição das pessoas à mesa tem grande influência. Em ordem de importância, o chefe da família deve ocupar o lugar de honra; a esposa, o segundo; depois virão sucessivamente o primogênito, o segundo filho, a primeira filha, etc. O ambiente se faz harmonioso quando os lugares são determinados de acordo com a ordem. Do contrário, surgem fatos desagradáveis. Muitas vezes participei de reuniões cujo ambiente carregado podia ser logo percebido por quem chegasse. Verifiquei que geralmente isso acontecia quando a disposição dos lugares não obedecia à ordem.

 

Para se estabelecerem os lugares, devem ser considerados de ordem inferior aqueles que ficam próximos à entrada, e de honra, os que estão mais afastados. Sabemos que o lugar de maior honra é o que fica em frente ao “toko-no-ma”21. Portanto, quando se tratar de ordem nas reuniões, é preciso levar em consideração o “toko-no-ma” e a entrada. Tudo o mais deve ser decidido com bom senso.

 

Relacionando o lado direito e o lado esquerdo, vemos que este é o mais importante, pois representa a parte espiritual; o lado direito a ele se subordina, pois representa a parte material (note-se que o braço direito é o mais utilizado).

30 de agosto de 1949

 

 

AGUARDAR O TEMPO CERTO

 

A minuciosa observação dos vários setores sociais mostra como é grande o número dos fracassados.

 

Se o fracasso representasse sofrimento apenas para o próprio indivíduo, este poderia resignar-se, atribuindo a culpa à sua inexperiência e má sorte. Mas não é assim; a família também é atingida, há prejuízo para parentes e amigos, e o fato isolado acaba constituindo uma espécie de mal social. Logicamente, a pessoa não tinha intenção de prejudicar ninguém; no entanto, em decorrência de seu fracasso, muitas outras foram prejudicadas.

 

O problema não deve ser menosprezado. É preciso examiná-lo profundamente, pois, quase sempre, sua causa reside em fatores que passaram despercebidos.

 

De início, a pessoa concebe um plano, prepara-o cuidadosamente (pelo menos imagina que está agindo assim), mas, quando se entrega à execução da obra, as coisas não correm como pensava. Começam a surgir dificuldades e obstáculos, que lhe impedem o discernimento e descontrolam suas perspectivas de futuro. Essa é a trajetória habitual dos que fracassam. Vejamos a causa de sua derrota.

 

Podemos resumi-la numa frase: eles não levaram em consideração o tempo. Este, de modo geral, é um fator absoluto. Flores, frutos, produtos agrícolas, tudo tem seu tempo certo. Mesmo que as condições sejam favoráveis, se não forem levadas em conta as exigências da estação, isto é, do tempo, não haverá bons resultados.

 

As flores silvestres desabrocham na primavera, porque seus bulbos são plantados no outono; as flores dos jardins nos encantam do verão ao outono, porque seus bulhos e sementes são plantados na primavera.

 

Os frutos também têm sua época de amadurecimento. Não podemos sentir o seu sabor enquanto estão verdes; quando bem maduros, são deliciosos. Mesmo os produtos agrícolas têm seu tempo de amanho, semeadura e transplantação. E devem estar de acordo com a terra e o clima.

 

Como vemos, a Grande Natureza ensina ao homem a importância do tempo. Em seu estado original, ela é a própria Verdade, e por isso serve de modelo a todos os projetos do homem. Eis a condição vital para o sucesso.

 

A Terapia Japonesa, a Agricultura Natural e outros princípios preconizados por mim praticamente não fracassam; eles alcançam os objetivos almejados porque se baseiam na Lei da Natureza.

 

Nunca me afobo quando planejo algo. Encaro o assunto com objetividade, examinando-o sob todos os ângulos possíveis, e ponho-me a refletir calmamente. Só me entrego aos preparativos indispensáveis após me convencer de que o plano é correto e útil à humanidade em todos os aspectos e possui sentido duradouro.

 

Acontece que a maioria das pessoas não tem paciência para esperar. Lançam-se à obra prematuramente, provocando desequilíbrio entre o projeto e o tempo. Por se afobarem, aumentam esse desequilíbrio, e daí sobrevém o fracasso. Portanto, em todos os empreendimentos, o essencial é ter paciência para aguardar a chegada do tempo exato. As coisas possuem, infalivelmente, uma ocasião propícia. Com toda razão dizem os velhos provérbios: “Se esperarmos, teremos bom tempo para navegar”, “A sorte se espera deitado” e “Mire cuidadosamente para acertar o alvo”.

 

Muita gente se impacientou com meu sistema. Houve quem me apresentasse ideias e planos que, às vezes, eu prometia realizar. Como tardasse a executá-los, as pessoas reclamavam ou estranhavam. Quanto a mim, estava à espera do tempo adequado.

 

Os conhecidos aforismos “Agarre a oportunidade” e “Não perca a ocasião” confirmam o que estou dizendo.

 

Sentimos que estamos diante da ocasião propícia quando, preenchidas todas as condições, passamos a sentir um forte impulso para executar o plano imediatamente. Tudo se processará, então, com facilidade, devido ao amadurecimento do tempo. Aguardando o tempo certo, estaremos poupando esforços e todas as coisas correrão bem. Em resumo, devemos refletir bem antes de agir. Por exemplo: se algo impede que uma pedra role morro abaixo, mas tentarmos empurrá-la, despenderemos muita força. Entretanto, se soubermos esperar pacientemente, o obstáculo irá sendo vencido pelo peso da pedra. Com o tempo, até o empurrão de um dedo a fará precipitar-se. É o que acontece com a oportunidade.

 

Se o rouxinol não canta, esperarei até que ele cante”. Esta frase foi dita satiricamente por Ieyassu Tokugawa, o fundador da dinastia Tokugawa, a qual governou o Japão durante trezentos anos porque ele soube dar tempo ao tempo.

 

Creio que o que dissemos é suficiente para compreenderem a importância do tempo. Nao Deguti escreveu: “Com o tempo nem Deus pode”. Isso resume admiravelmente a verdade da questão.

25 de junho de 1949

 

 

TREINO DE HUMILDADE

 

Na vida, o treino de humildade é importante, constituindo uma prática tradicional entre os religiosos. Observamos, entretanto, que falta humildade a muitos pregadores. Os velhos axiomas “O falcão inteligente oculta as garras” e “Quanto mais carregada de grãos, mais se curva a espiga de arroz” referem-se à humildade.

 

Orgulho, mania de grandeza, pedantismo e vaidade produzem efeitos negativos. O ponto fraco do ser humano é gostar de se exibir, tão logo comece a se elevar socialmente. Por exemplo, quando um homem que exerce uma profissão comum passa a ser respeitado dentro da vida religiosa, recebendo uma função de destaque, sendo chamado de “professor”, “ministro”, etc., poderá indagar a si próprio: “Será que sou tão importante?” De início, ele se sentirá emocionado, feliz, agradecido. Com o tempo, no entanto, terá ânsia de ver reconhecida sua importância. Até então tudo ia bem, mas, com esse novo pensamento, a pessoa começará a se tornar impertinente e desagradável, embora não tome consciência do que lhe ocorre.

 

Deus desaprova a presunção. Empurrar as pessoas nas conduções, no meio da multidão, enfim, em qualquer lugar, para obter situação privilegiada, é falta de humildade, é uma atitude desprezível, que revela feio egoísmo.

 

Formar uma sociedade harmoniosa e agradável foi, em todas as épocas, ideal da verdadeira Democracia.

25 de janeiro de 1949

 

 

Eliminando o Ego e o Apego

Interlocutor: Qual é a maneira mais rápida e eficaz de eliminar o ego e o apego?

Mokiti Okada: Existe apenas um caminho, que é pensar fortemente que o seu ego e apego estão sendo eliminados. Se você se concentrar em eliminar seu ego e apego, então, gradualmente, com o tempo, ele será naturalmente diminuído. Você não pode esperar que outra pessoa tome o que é seu. Muitas vezes o infortúnio de uma pessoa é causado por seu ego e atitude. No mundo espiritual, um espírito não pode ir aos reinos mais elevados se tiver um forte apego. Quando um espírito é capaz de abandonar o apego, então ele pode ser elevado. Os seres humanos são todos iguais. Eu já tive apegos e ego, mas os eliminei quase que totalmente. Não é difícil. A chave para eliminá-los completamente é perceber que Deus está fazendo isso (as coisas que acontecem é Deus quem está fazendo). Conscientemente tente perceber isso. Se você acha que vai fazer isso, ou se quer forçar suas próprias ideias, as coisas não vão bem e você não será capaz de eliminar seu ego. Quando suas ideias não estão sendo suavemente manifestadas, você deve perceber que isso é necessário de acordo com Deus.

 

Para fechar os comentários sobre o Primeiro Módulo, colocamos o Ensaio do mestre Okada a respeito dos Elos Espirituais e mais um outro. É um assunto de grande profundidade e seu entendimento fará com que o leitor possa ter uma visão mais abrangente sobre o assunto:

 

ELO ESPIRITUAL

Até agora pouco se tem falado sobre elo espiritual, porque ainda se desconhece a sua importância. Entretanto, embora os elos espirituais sejam invisíveis e mais rarefeitos que a atmosfera, através deles todos os seres são influenciados consideravelmente. No homem, eles tornam-se o veículo transmissor da causa da felicidade e da infelicidade. Em sentido amplo, exercem influência até sobre a História. Portanto, o homem deve conhecer o seu significado.

 

N.E.: Note que Okada deixou claro logo no início do ensaio a importância do Elo Espiritual, dizendo que eles se tornam o veículo da felicidade ou infelicidade. Sabedor disso, o ser humano deve então ajustar sua vida, atitudes, pensamentos e sentimentos para que possa se beneficiar da felicidade. O desconhecimento sobre esse assunto, que é uma Verdade, muitas vezes leva o ser humano a cometer erros e o seu interior, seu espírito passa a ser repositório de infelicidades. Quando fazemos o bem somos inundados de luz ou energia benéfica oriundas das pessoas que foram objeto de nossa bondade, ações virtuosas visando a felicidade do próximo. Ao contrário também é verdade, como tratar mal, responder de forma ríspida ou ser mal-educado. Daí observa-se o quanto a gentileza, educação e ações carregadas de sentimentos nobres assim como pensamentos que visam o bem do próximo se tornam importantes. Muitas vezes criamos condições de conflitos por não sabermos dessa Verdade. Elos espirituais existem e realmente nos fazem não apenas transmitir de uma forma invisível o que se passa em nosso interior como também a recepção do resultado que causamos nos demais.

 

Primeiramente desejo advertir que isso é Ciência, é Religião e também preparação para o futuro. O princípio da relatividade, os raios cósmicos e os problemas referentes à sociedade ou ao indivíduo, tudo se relaciona com os elos espirituais. Vejamos a relação existente entre eles e o homem.

 

 

N.E.: Aqui também chamamos a atenção do Leitor para algo que dificilmente pensamos, que são os Elos espirituais que existem dos astros, sejam estrelas ou planetas em relação ao ser humano. Ao final do ensaio Okada tentará explicar novamente sobre o assunto. Fiquem atentos.

 

Tomemos como exemplo um homem qualquer: pode ser o próprio leitor. Ele não sabe quantos elos espirituais estão ligados a ele; podem ser poucos, dezenas, centenas ou milhares. Há elos espirituais grossos e finos, compridos e curtos, bons e maus, e constantemente causam influência e transformação no homem. Portanto, não é absurdo dizer que este se mantém vivo graças aos elos espirituais. Entre estes, o mais forte é o que existe entre um casal; a seguir, o que existe entre pais e filhos, entre irmãos, entre tios e sobrinhos, entre primos, amigos, conhecidos, etc. Creio que as expressões “laços de afinidade” e “ter afinidade com alguém”, usadas desde a Antiguidade, referem-se aos elos espirituais.

Os elos espirituais sempre se modificam, tornando-se grossos ou finos. Quando há harmonia entre o casal, ele é grosso e brilhante; quando os cônjuges estão em conflito, ele torna-se mais fino e perde o brilho. Entre pais e filhos, entre irmãos, etc., dá-se a mesma coisa.

Também podem ser formados novos elos, quando uma pessoa trava conhecimento com outra, quando inicia uma amizade e, principalmente, um namoro. Chegando o namoro ao clímax, o elo torna-se infinitamente grosso e transmite intensas vibrações de um para o outro. São trocadas não só sensações agradáveis e sutis, mas também de tristeza e solidão. Por esse motivo, o elo espiritual torna-se extremamente forte e é impossível a separação. Nesse caso, mesmo que uma terceira pessoa tente interferir no romance, não só não obterá nenhum resultado, mas, ao contrário, fará aumentar ainda mais o grau da paixão. Quando duas pessoas se amam, é como o polo positivo e o polo negativo em eletricidade, que se tocam e geram a energia elétrica; nesse caso, o elo espiritual trabalha como fio elétrico. Tempos atrás, extinguindo espiritualmente o polo positivo, salvei duas estudantes que, envolvidas num amor lésbico, estavam a um passo de duplo suicídio. Consegui que a moça que representava o polo positivo voltasse à normalidade em cerca de uma semana. Esfriado o ardor da paixão, foi rompido o elo espiritual, e a outra, automaticamente, também voltou à normalidade.

 

 

N.E.: Observamos no trecho do ensaio acima que parece haver certos comportamentos que podem ser modificados com a ação da Terapia Japonesa. Não entendemos ainda esses casos até por que até o momento não tivemos a oportunidade de pessoas com tais comportamentos. Note que em nenhum momento Okada disse para tratar tal comportamento, mas que ministrou em função de estarem a um passo do duplo suicídio, é o que se pode apreender desse caso. Talvez não tenha sido o único motivo, mas esse, do suicídio, era motivo suficiente para que se pudesse ministrar a Terapia. Talvez quando tivermos experiência nesses casos possamos fazer algum complemento, mas por enquanto nos limitamos ao exemplo acima.

 

 

O elo espiritual entre pessoas que não têm laços de consanguinidade pode ser rompido, mas é impossível romper o que existe entre parentes consanguíneos. No caso de pais e filhos, deve-se dar atenção a um ponto: como eles sempre estão pensando uns nos outros, o caráter dos filhos sofre a influência do caráter dos pais, através do elo espiritual. Portanto, se os pais desejam melhorar os filhos, em primeiro lugar devem melhorar a si mesmos. Frequentemente eles fazem coisas erradas e vivem advertindo os filhos, porém isso não dá muito resultado, e o motivo é o que acabamos de expor. Muitas vezes, entretanto, admiramo-nos por ver pais maravilhosos com um filho transviado. A verdade é que esses pais são boas pessoas por interesse e apenas na aparência, mas seu espírito está maculado, e isso se reflete no filho. Pode também acontecer que, entre dois irmãos, um seja bom e outro seja corrupto. A causa está na vida anterior e nas máculas dos pais. Para que possam compreendê-lo, falarei sobre o princípio da reencarnação.

Após a morte, o espírito vai para o Mundo Espiritual, isto é, nasce nesse mundo. Referindo-se à morte, os budistas usam a expressão “Odyo”, que significa “vir para nascer”. Analisando do ponto de vista do Mundo Espiritual, é realmente o que acontece. Ali se efetua a purificação das máculas acumuladas no Mundo Material, e os espíritos que atingiram certo grau de purificação voltam a nascer neste mundo, ou melhor, reencarnam. Todavia, há pessoas perversas que se arrependem ao morrer, seja por medo do castigo, seja por outros motivos. Tendo compreendido que o homem nunca deve praticar o mal, fazem o firme propósito de se tornarem virtuosas na próxima vida e, quando reencarnam, praticam realmente o bem. Vemos, pois, que, embora alguém seja muito bom nesta vida, na encarnação anterior pode ter sido um grande perverso.

Muitos homens, enquanto estão vivos, não acreditam na vida após a morte e, depois que morrem, não conseguem se integrar no Mundo Espiritual. Pelo apego à vida, reencarnam antes de estarem suficientemente purificados e sofrem várias purificações no Mundo Material, pelas máculas que ainda restam em seu espírito. Como o sofrimento é uma ação purificadora, um homem pode ser infeliz apesar de ter sido bom desde que nasceu. Os defeituosos de nascença, como por exemplo cegos, mudos e aleijados, são pessoas que tiveram morte violenta na encarnação anterior e reencarnaram antes de concluída a purificação.

Um caso interessante e frequente de reencarnação é o de crianças que nascem com feições de velho. Isso acontece porque essas pessoas morreram idosas na vida anterior e reencarnaram precocemente; só dois ou três meses após o nascimento é que tomam feições de bebê. Ocorre, ainda, o caso do reflexo das más características dos pais sobre um dos filhos, o qual se torna perverso, ao passo que num outro se reflete a consciência, ou melhor, o lado bom dos pais, e por isso este filho se torna bondoso. Acontece também com frequência que, tendo os pais enriquecido ilicitamente, um filho se torne esbanjador, gastando dinheiro como água, até acabar com a fortuna da família. Como se trata de riqueza ilícita, os ancestrais escolhem um descendente que, dilapidando essa riqueza, na verdade está trabalhando para salvar a família. Desconhecendo essa verdade, as pessoas acham que tal filho é desprezível; por isso, ele é digno de pena.

 

N.E.: Observa-se que o verdadeiro caráter dos Pais influencia diretamente não apenas o comportamento dos filhos, mas seu destino, seu futuro. Se todos soubessem dessa Verdade, que há transferência de características que são reais (ou seja, nem sempre visíveis aos olhos dos demais) talvez o comportamento dos pais pudesse sofrer alterações e dessa forma ver o comportamento dos filhos ser beneficamente influenciados. Alguns exemplos são citados neste ensaio e por eles é possível perceber o tamanho dessa influência, tanto para o bem como par ao mal.

 

 

Estamos ligados por elos espirituais não só aos parentes e amigos vivos, mas também àqueles que se encontram no Mundo Espiritual. Existe, ainda, o elo espiritual que nos liga a Deus e também o que nos liga a Satanás. Deus nos estimula para o bem, e Satanás para o mal. O homem é manejado constantemente por uma força ou por outra. Assim, o espírito que foi purificado até certo ponto no Mundo Espiritual é escolhido como Espírito Guardião, o qual protege a pessoa confiada à sua guarda, através do elo espiritual que os une. Quando ela está sujeita a um perigo iminente, o Espírito Guardião transmite-lhe um aviso e tenta salvá-la. Como exemplo disso, podemos citar o caso de uma pessoa que vai pegar um trem, mas que, por ter se atrasado ou por algum outro problema, não o pega, tomando o trem seguinte. Aí, acontece um desastre com o trem que ela não pegou, e muitos morrem ou ficam feridos. A pessoa foi salva graças ao trabalho do Espírito Guardião, que conhece antecipadamente o destino de quem lhe foi confiado no Mundo Material.

A quantidade de elos espirituais varia de acordo com a posição que o homem ocupa. Numa família, quem os possui em maior número é o chefe, ligando-o com os familiares, com os empregados, com os amigos, etc. Tratando-se do presidente de uma firma, possui elos com todos os funcionários; se for homem público, como prefeito de uma cidade, governador de estado, primeiro-ministro, presidente, imperador, etc., tem elos espirituais com todos aqueles que estão sob sua administração ou governo. Quanto mais elevada a posição do homem, maior se torna o número de seus elos espirituais. Sendo assim, a personalidade de um líder tem que ser nobre, porque, se no seu espírito houver impurezas, isso se refletirá nocivamente sobre grande número de pessoas, atuando sobre o pensamento delas. O primeiro-ministro de um país, por exemplo, deve ser um homem de grande personalidade; além de muita sabedoria, deve ter muita sinceridade. Caso contrário, o pensamento do povo se deteriora, a moral relaxa, e o número de criminosos torna-se cada vez maior. Principalmente os educadores, se soubessem que seu caráter se reflete sobre os alunos através dos elos espirituais, deveriam tornar-se pessoas dignas de exercerem essa profissão, procurando constantemente aperfeiçoar o próprio espírito.

Os religiosos – especialmente os fundadores, presidentes ou ministros de uma religião – sendo venerados por grande número de fiéis como deuses vivos, devem ter muito cuidado, pois exercem uma influência notável. Se praticarem atos condenáveis, aproveitando-se de sua posição, isso se refletirá no conjunto dos fiéis, e essa religião acabará por se desmoronar, pois aqueles atos serão do conhecimento de todos.

Mas não é só o homem que tem elos espirituais. Também Deus tem elos que O ligam aos homens. A diferença é que os de Deus possuem uma luz intensa, e os do homem, mesmo dos mais elevados, possuem luz tênue; em geral são como linhas branco-acinzentadas. Quanto mais perversa for a pessoa, mais escuros serão os seus elos espirituais. Comumente, ao escolhermos amigos, desejamos que sejam pessoas boas, pois, misturando-se com o bem, o homem torna-se bom, e misturando-se com o mal, torna-se mau, graças às influências transmitidas pelos elos espirituais.

 

N.E.:  Como Okada nos esclarece, temos elos espirituais com Deus, mas também com Satanás, e o que nos leva a ter maior afinidade com um ou com outro é exatamente se comportamento, seu caráter e a diferença entre o bem e o mal de suas ações. Pode ser que essa conclusão deixe algumas pessoas estarrecidas, mas observe que tem lógica. Por isso o ser humano deve pensar bem o seu interior, refletir e se for o caso, modificar seu íntimo. Como esse tipo de assunto não é foco de estudos em praticamente nenhum lugar, aqui colocamos para que a reflexão seja realizada com calma, honestamente e a partir daí a reforma do íntimo. Não existe outra forma, como foi dito anteriormente, o Reino Espiritual é justo, não havendo o mínimo erro e com base em fatos fica claro que o próprio ser humano decide a quem se liga, através de seus elos espirituais, e dessa forma transformar sua vida em felicidade ou infelicidade. Não se depende de nada nem de ninguém, cada um é o único responsável por suas escolhas e ações. Nosso papel é de alertar e ao mesmo tempo trazer soluções possíveis para que a melhor escolha seja feita. É com esse intuito que trazemos os ensaios e nossos comentários são para tornar tudo mais objetivamente claro de forma a garantir que cada um esteja no correto caminho. Pretendemos desde o início fazer isso e a Técnica Divina ou Terapia Japonesa EHT é uma ferramenta extremamente valiosa para nós, a fim de na prática adquirirmos força e luz suficiente para nos modificarmos interiormente e ao mesmo tempo levar esperança para as pessoas de forma geral, eliminando seus sofrimentos de uma forma tão simples e revolucionária. Objetivamente apresentamos soluções e formas para que haja verdadeiros resultados com um menor esforço possível, sem gerar sofrimentos, pelo contrário, de uma forma alegre e constante.

Ainda complementando o assunto, tivemos recentemente um Terapeuta que resolveu assistir um filme que está disponível em uma das plataformas pagas, acho que Netflix. O filme era de pessoas que lidavam com espíritos demoníacos para combater outros espíritos demoníacos, dando a entender que isso seria possível e, portanto, legítimo. A partir de algum tempo, talvez umas duas ou três semanas começaram a acontecer coisas estranhas na sua residência, com bastante quebra de utensílios domésticos e conflitos começaram a aparecer. O que foi interessante é que houve imediata ligação desses fatos com o filme, visto que como foi dito anteriormente, há influência do autor no espírito de quem aprecia a obra, é de se pensar que o espírito do autor esteja carregado de pensamentos e sentimentos com objetivo de trazer esses assuntos a apreciação dos demais e por isso influencia diretamente o ambiente e as pessoas ao seu redor. Quando o Terapeuta percebeu, suspendeu a visualização da série , foi quando os fatos se sucederam mais fortemente, e a partir de outras ações como limpeza da casa, esforço em fazer coisas boas ministrando bastante Terapia e leitura de ensaios do mestre Okada (que também vem carregado com o espírito dele de coisas boas e de alto nível) as coisas voltaram ao normal. Não podemos afirmar que foi isso ou aquilo, mas os fatos mostram relação entre si e é possível, talvez com grande probabilidade para quem é estudante das coisas espirituais, de estarem realmente ligadas diretamente. Sendo esse o caso perceba o quanto podemos sofrer influências e como podemos reverter essas influências e dessa forma alterar nosso destino. No próximo parágrafo isso fica mais claro. A infelicidade nada mais seria que o resultado das ações do ser humano e isso pode significar desarmonia no lar, no trabalho e na saúde. Perceber esses pontos significa que a pessoa que percebe esses detalhes pode ser considerada como tendo uma boa percepção e dessa forma aprender com as próprias ações. A proteção que a pessoa teve, nesse caso um Terapeuta, ficou claro quando as coisas ruins começaram a acontecer e a percepção do mesmo foi imediata a ponto de tomar outras decisões para que seu lar e sua vida voltasse a normalidade rapidamente. O aprendizado foi rapidamente assimilado e as coisas ruins se transformaram em grande aprendizado e mais uma lição ultrapassada. Se todos os eventos tiverem o olhar correto não haverá insatisfação ou infelicidade, mas o verdadeiro esforço para se tornar feliz, com ações concretas e lamentar sobre algo passou a ser dispensável, visto que tal comportamento só atrairia mais coisas negativas. Conscientemente o Terapeuta afastou essa possibilidade de se enredar mais ainda na infelicidade quando tomou a firme e correta decisão de se dedicar a coisas boas, a ministrar bastante terapia e ajudar pessoas, em poucos dias tudo voltou ao normal.

 

Mesmo entre as entidades há os justos e os satânicos. Se o homem sempre venerar as divindades, seu espírito será purificado, porque elas têm elos espirituais intensamente luminosos. Se venerar as entidades satânicas, ao invés de luz, receberá fluidos maléficos que afetarão seu pensamento, e por isso se tornará infeliz. Portanto, para seguir uma Fé, é essencial o homem discernir o bem e o mal. A intensidade da luz varia conforme o nível da divindade. Quanto mais elevada ela for, maior número de milagres promoverá, porque a luz dos seus elos espirituais é muito mais forte.

Existe atividade dos elos espirituais não só no homem, mas em todas as coisas. Por exemplo: a casa onde residimos, os objetos que sempre usamos, entre os quais roupas e joias, e principalmente as coisas de que mais gostamos, possuem conosco um elo espiritual mais grosso. Numa antiga revista espiritualista dos Estados Unidos, foi publicada uma reportagem sobre uma senhora que tinha um poder misterioso: pelos objetos, ela identificava a fisionomia, a idade e as atividades recentes do seu dono. Quando contemplava atentamente um objeto, tinha a impressão de estar diante da fotografia da pessoa. Isso ocorria por causa do elo espiritual existente entre a pessoa e o objeto. Através desse exemplo podemos perceber como é sutil e profunda a atuação dos elos espirituais.

Recentemente, começaram a fazer pesquisas científicas sobre os chamados raios cósmicos, os quais, a meu ver, são os elos espirituais que unem a Terra aos outros astros. Desde que foi criada, a Terra mantém o equilíbrio no espaço graças aos elos espirituais dos astros ao seu redor, que a atraem. Esses elos, cujo número é incalculável – milhões ou bilhões – penetram até o centro da Terra. Aproveitando a oportunidade, vou explicar rapidamente a relação entre a Terra e o Céu (espaço sideral).

Eles são como dois espelhos, um em frente ao outro. No espaço sideral há dois tipos de astros: os luminosos e os opacos.

Por não ter luz, o astro opaco não se torna visível aos olhos humanos, mas, com o passar do tempo, vai se transformando em astro luminoso, pelo endurecimento de matérias cósmicas; ao atingir o máximo de endurecimento, começa a brilhar. É por esse motivo que o mineral mais duro existente na Terra – o diamante – é o que mais brilha.

Na época da criação do nosso planeta, o número de astros visíveis era tão pequeno como o das estrelas durante a madrugada. Esse número cresceu proporcionalmente ao aumento da população; portanto, assim como é impossível calcular o aumento da população humana no futuro, é impossível calcular o aumento do número de astros. Frequentemente os astrônomos descobrem novos astros, mas o que realmente acontece é a transformação de um astro opaco em astro luminoso, o qual passa a ser percebido pelos olhos humanos. Quanto às estrelas cadentes, representam a ação de desintegração das estrelas, e o meteoro é um fragmento delas.

Todos os astros exercem influência sobre a humanidade: não só os grandes planetas, como Júpiter, Marte, Saturno, Vênus, Mercúrio e outros, mas também as inumeráveis estrelas – grandes, médias e pequenas. Assim como se destacam os cinco grandes planetas citados, em cada época existem cinco personalidades mundiais. Também acho interessante compararem o homem às estrelas, e, referindo-se a personalidades renomadas, falarem em “passagem de uma grande estrela”, ou “queda de uma estrela”.

A História registra que inclusive no Ocidente houve uma época em que se dava muita importância à Astrologia, e os mestres religiosos consultavam os astros para ver a sorte ou o infortúnio, a felicidade ou a infelicidade do homem, para analisar as doenças, etc. A Astrologia teve, pois, uma importância mundial. Na China, a ciência da adivinhação também tomava por base os nove planetas. Para mim, não é sem cabimento o interesse que os antigos tinham pelo estudo dos astros.

25 de outubro de 1949

 

N.E.:  Como foi dito anteriormente, o assunto dos elos espirituais vai muito mais além do que podemos imaginar e a influência destes no destino do ser humano é algo real. Mesmo a ciência moderna taxando de ridículo esse tipo de estudo, as pessoas mais velhas costumeiramente têm muitas observações que dizem a respeito a isso e sua influência. Infelizmente ainda nos encontramos na era das trevas desse tipo de conhecimento, mas nosso esforço tem sido grande para que possamos estudar tais assuntos. Para tornar mais forte o entendimento, leia o Ensaio de Okada sobre atuação de entidades demoníacas no ser humano, é impressionante e não levado a sério como deveria.

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